40 milhões e emprego na Função Pública. Os números da ajuda grega às vítimas dos incêndios

Entre as medidas de apoio, estão dois milhões para os municípios afetados e empregos na Função Pública para quem tenha perdido um familiar

O balanço é terrível: pelo menos 85 mortos, cerca de 100 pessoas desaparecidas, mais de 1500 casas destruídas, 2100 hectares de floresta ardida e uma aldeia - Mati - totalmente reduzida a cinzas. Os incêndios na Grécia do início desta semana foram os mais graves da última década e as críticas já se fazem ouvir. Entretanto, o governo de Alexis Tsipras anunciou um pacote de medidas que integra apoio financeiro às vítimas dos incêndios, bem como fundos para a reparação "imediata" dos prejuízos e que constam de um documento enviado ao DN pela embaixada da Grécia em Portugal.

Quanto às críticas recaem sobre a construção desordenada e por vezes ilegal em áreas florestais e em zonas costeiras, outras sobre a ausência de planos de prevenção e de combate a incêndios com estas características e ainda na resposta lenta dos meios de combate aos fogos.

Zoe Konstantopoulou, ex-presidente do Parlamento grego, ex-membro da Syriza e ex-aliada de Alexis Tsipras, disse ao DN que vai processar o governo de Tsipras e o governo regional de Ática pelas falhas na resposta aos incêndios. "Não se morre assim nem em tempos de guerra", afirmou a advogada.

Num discurso televisivo, o primeiro-ministro Alexis Tsipras afirmou que o apuramento de eventuais responsabilidades ficariam para "a hora certa", mas logo na terça-feira o procurador do Supremo Tribunal Xeni Dimitriou ordenou uma investigação sobre as causas dos incêndios.

Esta quinta-feira, o ministro da Ordem Pública da Grécia, Nikos Toskas, afirmou que a análise das imagens de satélite e as investigações no terreno sugerem que as chamas começaram na segunda-feira em vários locais e num curto espaço de tempo, provavelmente devido a atos criminosos.

"Existem sérios indícios de mão criminosa, mas as investigações ainda estão a decorrer", disse Toskas em conferência de imprensa, acrescentando que foi encontrado um objeto suspeito em Mati, local onde ocorreram a maioria das mortes.

Quais são os apoios disponibilizados pela Grécia?

Subsídio de emergência para as vítimas

- 5000 euros para cada família;

- 6000 euros para cada família com três filhos ou mais;

- 8 mil euros para pessoas que viram o seu negócio ou empresa prejudicado devido aos fogos.

Apoio para desempregados e pensionistas

- Subsídio de desemprego ao qual acresce um montante fixo no valor de 650 euros para quem perdeu o emprego porque a empresa ficou destruída;

- Pagamento único de duas prestações mensais para os pensionistas afetados pelos incêndios.

Medidas de compensação e suporte às famílias das vítimas

- 10 mil euros para o cônjuge ​​​​​ou familiar mais próximo da vítima mortal;

- 1000 euros mensais para cada menor que tenha perdido os pais mais um montante fixo atribuído pelo Parlamento grego;

- Direito a um emprego na Função Pública para quem tenha perdido um familiar ou que tenha ficado com uma deficiência;

Medidas de "alívio" fiscal

- Prorrogação do prazo para a entrega do IRS e IVA;

- Suspensão do pagamento de dívidas em atraso ou prestes a expirar;

- Isenção do imposto sobre a propriedade imobiliária para 2018 para bens imóveis que ficaram destruídos;

- Suspensão das contribuições obrigatórias fiscais.

Medidas gerais

- Suspensão dos leilões de dívida;

- 1200 euros para cobrir necessidades de telecomunicações;

- 2 000 000 para os municípios afetados;

- Bonificação de 20% na nota dos exames de acesso à universidade aos estudantes cujas famílias tenham sido afetadas pelos fogos.

Reparação de estragos materiais

- Licenças mais rápidas para projetos relevantes;

- 40 000 000 serão transferidos para o Banco da Grécia destinados às vítimas: para a reconstrução de casas e para a reparação de infraestruturas.

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