Os míticos ladrões de joias que têm nome de filme

Os métodos audaciosos dos Panteras Cor-de-Rosa levaram a Interpol a criar um grupo especial para os investigar. São suspeitos de terem assaltado Kim Kardashian em Paris

O nome desta organização de ladrões de joias é digno de um filme. Na verdade já serviu de inspiração a um documentário e a uma série de televisão. Os Panteras Cor-de-Rosa voltaram a ser notícia por serem os principais suspeitos do assalto milionário, no dia 2 em Paris, a Kim Kardashian. A estrela do reality show Keeping Up with the Kardashians foi assaltada, no apartamento onde estava alojada, por cinco homens, que levaram joias avaliadas em nove milhões de euros.

"Audácia e profissionalismo são as suas palavras de ordem", disse em 2014 William Labruyère, coordenador da equipa da Interpol criada para investigar o grupo. "Não há espaço para o improviso", acrescentou este responsável.

Foi a 9 de maio de 2003 que começou a lenda dos Panteras Cor-de-Rosa, com um assalto no bairro londrino de Mayfair. Roubaram um diamante de 500 mil libras e esconderam-no um frasco de creme facial, copiando uma cena do filme A Pantera Cor-de-Rosa, realizado em 1963 por Blake Edwards. E assim surgiu o nome desta organização de assaltantes.

Desde então os Panteras Cor-de-Rosa levaram a cabo centenas de assaltos em várias zonas do globo: Londres, Paris, Dubai, Genebra, Mónaco, Tóquio, entre outras. A 10 de março de 2004, cinco homens com máscaras antipoluição, estacionaram as suas bicicletas à porta de uma joalharia em Tóquio. Em menos de três minutos encheram os bolsos com 25 milhões de euros em pedras preciosas. A 30 de agosto do ano seguinte, quatro homens de calções e T-shirts entram na joalharia Julian, em Saint-Tropez, que fica a 60 metros da esquadra desta cidade do Sul de França. Em um minuto e 24 segundos causaram um prejuízo de dois milhões de euros.

Militares da Europa de Leste

Em 2007, realizaram dois golpes audaciosos. Na manhã de 15 de abril, dois Audi A8 destroem as portas do Waffi Mall, um centro comercial de luxo no Dubai, e só param junto à joalharia Graff. Oito homens vestidos de preto saíram dos automóveis e roubaram cerca de 12 milhões de euros em pedras preciosas. A 21 de junho, um homem, que se apresenta como empresário, entra na joalharia Ciribelli, no Mónaco. Cinco minutos depois aparece um cúmplice com uma arma automática. Resultado: 510 mil euros de prejuízos para os donos da loja.

Foram estes dois golpes que levaram a Interpol a criar o Projeto Panteras Cor-de-Rosa, para "ajudar as polícias de todo o mundo a identificar membros" deste grupo internacional de "ladrões de joias". No site da Interpol é referido que "esta alegada rede organizada de criminosos é suspeita de ter levado a cabo cerca de 380 assaltos à mão armada em joalharias de luxo entre 1999 e 2015. O valor total destes assaltos é de mais de 334 milhões de euros".

"A maioria dos suspeitos identificados, com idades entre os 40 e os 55 anos, são militares ou milicianos sérvios, croatas e montenegrinos", explicou, em 2014, ao Le Point, William Labruyère, coordenador do Projeto Panteras Cor-de-Rosa da Interpol. "Eles são especialistas em armas, logística, tática, coisas que lhes têm sido úteis em determinada altura", acrescentou.

Estima-se que os Panteras sejam cerca de duas centenas, "mas não podemos falar verdadeiramente de uma organização piramidal com um chefe, tenentes...", explicou na mesma reportagem um oficial do OCRB, o departamento de luta contra o crime organizado da Polícia Judiciária francesa. "Existem uns 40 anciões que vivem em capitais de países do Leste que orientam as ações de pequenos grupos formados por duas a quatro pessoas e que funcionam de maneira autónoma", prosseguiu a mesma fonte. "Somos uma rede de equipas que trabalham juntas", disse um dos elementos dos Panteras no documentário Smash & Grab: The Story of the Pink Panthers.

Fugas espetaculares

Os esforços da Interpol permitiram a criação de perfis de vários suspeitos. Informações que partilharam com lojas de luxo, de forma a ajudar na sua identificação, quando estes se apresentam como clientes. Foi graças a esta partilha de informações que Dusko Poznan, um bósnio de 36 anos e suspeito de ter participado no golpe do Dubai, foi detido a 15 de outubro de 2008 no Mónaco. Milan Ljepoja, de 40 anos, tinha sido apanhado um mês antes num hotel na fronteira franco--suíça. Em 2009, Vinko Osmakcic, suspeito de assaltos na Alemanha, Escandinávia e Hawai, foi detido no Mónaco.

A experiência militar que usam para roubar joias também já serviu para fugas da prisão. No verão de 2013, usaram um lança-rockets para ajudar à fuga de uns elementos da organização presos em Bochuz, na Suíça. Outra vez, na Alemanha, chegaram mesmo a utilizar um helicóptero.

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