Oposição quer bloquear Congresso brasileiro até que Moro seja afastado

Partidos da oposição brasileira afirmaram esta segunda-feira que tentarão impedir votações no Congresso até que o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, seja afastado do seu cargo por supostas ações ilegais na Operação Lava Jato, segundo a imprensa local.

Além do afastamento de Moro, os líderes do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) falaram também na possibilidade de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso, revelado pelo The Intercept Brasil, segundo o qual o ex-juiz Sérgio Moro teria ajudado a acusação no processo Lava Jato, no âmbito do qual condenou, entre outros, o ex-Presidente brasileiro Lula da Silva.

"Deve haver imediatamente o afastamento do Moro de onde ele está, do seu cargo. O parlamento brasileiro tem que entrar nessa investigação, está colocada na mesa a possibilidade de uma CPI", afirmou à imprensa a líder do Partido Comunista do Brasil na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali.

A deputada disse ainda que as presentes revelações transcendem os partidos de esquerda e que a Câmara deve ajudar na investigação.

"Nós vamos obstruir todos os assuntos enquanto não forem anunciadas medidas concretas em relação a esta questão. Nós não vamos votar mais nada, não vamos permitir a apresentação do relatório da Previdência", frisou.

Já o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, pediu a instauração de um processo disciplinar por parte da procuradora-geral da República brasileira, Raquel Dodge.

"Queremos que a senhora Raquel Dodge abra imediatamente um processo administrativo disciplinar. Que sejam recolhidos aparelhos funcionais, telemóveis e 'lap-tops'. São atividades relacionadas com a postura funcional. E essas provas precisam de ser preservadas", afirmou Paulo Pimenta, citado pela imprensa brasileira.

Enquanto as composições políticas de esquerda tornaram pública a sua posição, os partidos do centro evitaram um pronunciamento, aguardando assim novas revelações, prometidas pelo portal de investigação jornalística The Intercept, responsável por divulgar o caso que envolve o ex-juiz e atual ministro da Justiça.

Conversas privadas entre agentes públicos que participaram na Lava Jato, a maior operação contra a corrupção do Brasil, indicam que houve colaboração ilegal e falta de imparcialidade na investigação, escreveu o The Intercept.

Este portal iniciou no passado domingo uma série de reportagens sobre a operação Lava Jato publicando textos com mensagens e conversas privadas entre promotores e juízes brasileiros na aplicação Telegram, que foram denunciadas de forma anónima.

Os diálogos obtidos apontam para irregularidades na Lava Jato, principalmente as mensagens trocadas entre o procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz Sérgio Moro.

Segundo o Intercept, conversas privadas revelam que Moro sugeriu a Dallagnol que alterasse a ordem das fases da operação Lava Jato, deu conselhos, indicou caminhos de investigação e deu orientações aos promotores encarregados do caso, ou seja, ajudou a acusação, o que viola a legislação brasileira que exige imparcialidade aos juízes.

Moro, atualmente ministro da Justiça e Segurança Pública, ganhou notoriedade como juiz da operação Lava Jato, por condenar empresários, funcionários públicos e políticos de renome como o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo aquele portal de investigação, as mensagens indicam que os próprios promotores da Lava Jato tinham sérias dúvidas sobre a qualidade das provas contra o ex-Presidente neste processo.

O The Intercept é um portal de jornalismo de investigação liderado por Glenn Greenwald, jornalista a quem o ex-analista norte-americano Edward Snowden revelou os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA, na sigla em inglês).