Pandemia em aceleração. OMS vai reunir de emergência

A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai voltar a convocar esta semana o seu comité de emergência para avaliar o estado da pandemia da covid-19

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral daquela agência das Nações Unidas, afirmou esta segunda-feira que seis meses depois de a OMS ter declarado o novo coronavírus como emergência de saúde pública internacional, o contágio por covid-19 "continua a acelerar". E por isso está prevista para esta semana uma reunião de emergência.

A 30 de janeiro, foi pela sexta vez declarada "uma emergência sanitária global ao abrigo do regulamento internacional de saúde, mas esta é de longe a mais grave", admitiu.

"Como exigido pelo regulamento, voltarei a convocar o comité de emergência esta semana para reavaliar a pandemia", indicou, referindo que quase 16 milhões de infeções foram comunicadas à OMS e que mais de 640 mil pessoas morreram com covid-19.

De acordo com a Universidade Johns Hopkins há atualmente 16 264 048 casos de covid-19 e 648 966 mortes a nível mundial. Os Estados Unidos continuam a ser o país mais afetado do mundo, com 4 234 140 casos, incluindo 146 935 mortes.

Na quinta e na sexta-feira da semana passada foi estabelecido um novo recorde diário de infeções. Houve mais de 280 mil novos casos registados em todo o mundo na quinta (284.661) e na sexta-feira (282.042), os maiores aumentos diários desde que o vírus surgiu na China no final do ano passado.

O ritmo da pandemia continua a acelerar em todo o mundo, com mais de 5 milhões de novos casos detetados desde 1 de julho, o que representa mais de um terço do total de casos de covid-19 contabilizados desde o início da epidemia. O número de infeções poderá no entanto refletir apenas parte do total real de casos, já que muitos países não têm recursos suficientes para realizar campanhas de testes extensivas.

De facto, nas últimas seis semanas, o número global de casos duplicou, informou a OMS. Os principais responsáveis da organização referiram que o retrato global da pandemia é um mosaico variado, com países em estado de transmissão intensa, outros com ressurgimentos da transmissão comunitária, geralmente à volta de situações em que há "pessoas juntas em ambientes fechados", como referiu a principal responsável técnica pelo combate à covid-19, Maria Van Kerkhove.

O diretor executivo do Programa de Emergências Sanitárias da OMS, Michael Ryan salientou que as situações mais preocupantes não são aquelas em que "os governos descobrem surtos, estão a tentar identificar os problemas e fazem rastreio de contactos". "Aquilo que nos deve preocupar são situações em que os problemas não são revelados, em que estão a ser desvalorizados, em que tudo parece estar bem, porque uma coisa é certa com a covid-19 ou com qualquer outra doença infeciosa: parecer bem não é estar bem", declarou. "Eu preferiria estar numa situação em que o meu governo é honesto e diz a verdade sobre a situação no terreno", acrescentou.

Michael Ryan referiu que em relação à abertura de fronteiras e restrições às viagens e movimentações da população, é impossível adotar uma "solução' tamanho único'". No caso de "uma nação-ilha sem covid-19, um caso [importado] pode ser um desastre", ao passo que "num país como grande incidência da doença e fronteiras abertas, fechá-las pode fazer ou não qualquer diferença".

O risco e a ameaça não são apenas a movimentação da doença entre países mas o impacto que pode ter, indicou. "Continuar manter as fronteiras fechadas não é necessariamente uma estratégia sustentável para a economia mundial, para as pessoas mais pobres ou para as outras", referiu Michael Ryan.

Uma das consequências nas restrições de viagens, afirmou Tedros Ghebreyesus, tem sido a interrupção de fornecimentos de vacinas e medicamentos, que afeta os esforços para combater outras doenças, como a hepatite.

Tedros Ghebreyesus insiste na mensagem de que todas as cautelas são poucas: "A pandemia alterou a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Muitas estão em casa há meses e é perfeitamente compreensível que as pessoas queiram continuar com as suas vidas, mas não podemos voltar ao 'velho normal'", referiu na semana passada.

O diretor-geral da OMS alertou a população, especialmente as mais jovens, que as decisões de cada pessoa podem fazer a diferença "entre vida e morte" para um ente querido ou para um "completo estranho".

"Nas últimas semanas, vimos surtos associados a discotecas e outras reuniões sociais, mesmo em locais onde a transmissão foi suprimida. Devemos lembrar que a maioria das pessoas ainda é suscetível a este vírus. Enquanto a covid-19 está a circular, todos estão em risco. O facto de os casos estarem num nível baixo onde se vive, não significa que seja seguro baixar a guarda", acrescentou.

O líder da OMS instou também os governos a usar a sua legislação para proteger a saúde e, portanto, os direitos humanos. "Leis bem projetadas podem ajudar a construir sistemas de saúde sólidos, avaliar e aprovar medicamentos e vacinas seguras e até criar espaços públicos e locais de trabalho mais saudáveis ​​e seguros", disse.

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