De golpista na Guiné Equatorial a rei do Carnaval do Rio

Teodoro Obiang chegou ao poder em agosto de 1979 depois de depor o próprio tio. ONG criticam estilo autoritário do presidente da Guiné-Equatorial, país que, desde 2014, é membro da CPLP

Teodoro Obiang e a sua família estão habituados a dar que falar. Seja bem ou mal. Pouco importa. A verdade é que, com frequência, o presidente da Guiné Equatorial ou alguém ligado a si - normalmente o seu filho Teodorin Obiang - são notícia nos media internacionais. Foi assim por altura da adesão da ex-colónia espanhola à CPLP na cimeira de julho de 2014, em Timor, quando Teodorin, que é alvo de um mandado de captura e de um julgamento à revelia em França, ofereceu seis milhões de dólares pelos 51% do Banif no Banco Cabo-Verdiano de Negócios, ou ainda quando Obiang pai financiou com dez milhões de reais a Beija-Flor no Carnaval do Rio do ano passado. A escola de samba acabou por vencer o desfile desse ano e o líder guineense foi apelidado por alguns media como "rei do Carnaval do Rio".

O líder africano há mais tempo no poder - desde 1979 -, Obiang voltou a ser reeleito nas eleições presidenciais de abril último, com 98% dos votos expressos (em 2009 obtivera 95,37%). Apesar do boicote e das críticas da oposição, a missão de observadores da CPLP que acompanhou o escrutínio considerou que este decorreu "de forma ordeira e pacífica". Nascido a 5 de junho de 1942 - tem 74 anos -, Obiang frequentou a Academia Militar de Saragoça em Espanha durante o período colonial. Chegou ao poder em agosto de 1979 depois de um golpe contra o presidente Francisco Macías Nguema, de quem era sobrinho. Macías foi julgado e condenado à morte em setembro daquele mesmo ano.

Um dos homens mais ricos do mundo, segundo a Forbes, tem uma fortuna avaliada em cerca de 600 milhões de dólares. Num país rico em petróleo (em que a principal ilha, hoje Bioko, foi descoberta pelo português Fernando Pó) são frequentes as acusações de violações dos direitos humanos contra o regime de Obiang. "Corrupção, pobreza e repressão continuam a minar a Guiné Equatorial do presidente Teodoro Obiang. As receitas do petróleo alimentam os estilos de vida de uma elite que rodeia o presidente enquanto uma grande parte da população [cerca de 617 mil habitantes] continua a viver na pobreza (...) O filho mais velho de Obiang, Teodorin, é acusado em França por lavagem de dinheiro", lê-se no perfil do país, feito pela Human Rights Watch.

Alvo de um golpe de Estado falhado em 2004, que envolveu um grupo de mercenários e o filho de Margaret Thatcher, Mark, Obiang tenta, sempre que pode, calar as vozes mais críticas. Depois de aderir à CPLP, por exemplo, o seu regime introduziu uma moratória à pena de morte no país.

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