Obras no Palácio? Britânicos querem que seja a família real a pagá-las

Governo vai aumentar orçamento destinado à família real para que o Palácio de Buckingham possa ser modernizado. Britânicos estão contra

Uma petição online exige que seja a família real britânica a pagar as obras de 431 milhões de euros previstas para o Palácio de Buckingham, e que vão obrigar a que o governo de Theresa May aumente nos próximos dez anos o orçamento destinado à rainha Isabel II.

De acordo com um comunicado do Palácio de Buckingham, as obras são essenciais para "proteger o histórico edifício para as gerações futuras". Desde a década de 1950 que a canalização, os cabos elétricos e o sistema de aquecimento não sofreram intervenções e a infraestrutura do edifício precisa de uma revisão completa e urgente para evitar danos a longo prazo.

Mas Mark Johnson, antigo jornalista, considera que deve ser a família real a pagar a modernização do palácio e, por isso, lançou uma petição online frisando que a decisão de aumentar o orçamento da realeza para financiar as obras "cospe na face da maioria das pessoas" no Reino Unido.

Ainda que o governo britânico frise que qualquer catástrofe a acontecer em Buckingham por falta de manutenção, como um incêndio por exemplo, fosse custar muito mais aos contribuintes, Mark Johnson defende que o financiamento público das obras nos aposentos da rainha, numa altura em que os britânicos estão tão pressionados, quando "os mais velhos estão a congelar em casa e as crianças têm bolor nas paredes do quarto", a decisão parece saída de um romance de Charles Dickens. "Cabe à família real decidir como pagam as obras de forma privada. Julgo que não será difícil encontrar o dinheiro, nem tão difícil quanto seria se fosse para financiar o serviço nacional de saúde".

A petição recolheu, segundo o The Guardian, mais de 50 mil assinaturas em menos de 24 horas. Nesta altura, vai com 58 mil signatários.

Os trabalhos de reabilitação no Palácio de Buckingham serão realizados nos próximos 10 anos, de forma faseada. Com uma construção inicial datada de 1703 e tendo sido ampliado no século XIX, o palácio é a residência oficial da rainha, além do local onde recebe convidados oficiais e mantém as audiências semanais com o primeiro-ministro. Recebe anualmente cerca de 15 milhões de turistas e quase 100 mil convidados.

Segundo a BBC, a residência da monarca tem 775 salas, 52 quartos reais e para convidados, 188 quartos para funcionários, 92 escritórios e 78 casas de banho. Grande o suficiente para que Isabel II lá possa continuar a viver durante as obras, que arrancam em abril do próximo ano.

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