Obama: "O futuro de Cuba tem que estar nas mãos do povo cubano"

No segundo dia de visita oficial a Cuba, o presidente dos EUA fez um discurso dirigido aos cubanos no Grande Teatro Alicia Alonso, em Havana.

Barack Obama começou por citar José Martí, em espanhol, falando no cultivo de uma rosa branca e lançando um "saludo de paz", sendo aplaudido pelos 1100 espetadores presentes.

"Havana está a 90 milhas dos EUA, mas o nosso caminho foi longo para chegar aqui", afirmou o presidente dos EUA, Barack Obama, que recorda que o incidente da Baía dos Porcos ocorreu no ano em que nasceu, 1961. "São dois irmãos que estiveram separados por muitos anos", acrescentou.

"Vim aqui para enterrar os últimos vestígios de Guerra Fria nas Américas", indicou Obama.

"O que os EUA estavam a fazer não resulta e temos que ter coragem para reconhecer essa verdade", recordou, dizendo porque é que está agora a tentar a aproximação entre os dois países. Apesar de, reconhecer, ambos terem sistemas políticos e económicos diferentes.

"Não devemos temer a mudança, devemos abraçá-la", indicou, dizendo depois em espanhol, "acredito no povo cubano".

Não devemos temer a mudança, devemos abraçá-la

Obama repete que pediu ao Congresso dos EUA para levantar o embargo, dizendo que é um "fardo" sobre o povo cubano. "É hora de deixar cair o embargo", disse. "Mas mesmo se deixássemos cair o embargo amanhã, os cubanos não iriam ver alterações sem uma mudança de política aqui em Cuba", afirmou Obama, ouvindo-se aplausos da plateia.

O presidente dos EUA admite que alguns assuntos que está a falar são problemáticos, até por causa da história da presença norte-americana na ilha antes da revolução de 1959. "Conheço a história, mas não me posso deixar intimar por ela", indicou.

"Acredito que os cidadãos devem ter a liberdade de dizer o que pensam sem medo, para organizar-se e para criticar o seu governo e para manifestar-se de forma pacífica. E o estado de direito não deveria incluir detenções arbitrárias das pessoas que põe em prática esses direitos", disse Obama, ouvindo-se alguns aplausos. E que os eleitores devem ter o direito de "votar livremente no governo".

"Os ideais que são início de cada revolução encontram a sua mais verdadeira expressão na democracia", referiu o presidente norte-americano.

"O futuro de Cuba tem que estar nas mãos do povo cubano", disse Obama em espanhol.

O futuro de Cuba tem que estar nas mãos do povo cubano

"Não precisa de temer uma ameaça dos EUA", afirmou Obama dirigindo-se diretamente ao presidente cubano, Raúl Castro, que entre os espectadores que assistem ao discurso do líder norte-americano. "Somos todos americanos", lançou em espanhol.

Obama deixou também uma palavra aos exilados e a dor que estes têm por ter abandonado "um país que ainda amam". "Isto não é uma questão de política, mas de família, da memória de uma casa deixada para trás, de esperança por um futuro melhor, esperança por uma mudança em direção à reconciliação", explicou. "O futuro de Cuba está na reconciliação do povo cubano entre os netos da revolução e os netos dos exilados", afirmou o presidente dos EUA.

"O progresso começa com o mútuo reconhecimento da humanidade do outro. É o momento de deixar para trás o passado e olhar para um futuro de esperança". Obama terminou o discurso com um "sí, se puede", sendo é aplaudido de pé.

As imagens do evento mostraram também Raúl Castro de pé nos camarotes, ao lado do chefe da diplomacia cubana, Bruono Rodríguez, e do vice-presidente Miguel Díaz-Canel (apontado como provável sucessor de Castro). Depois de o presidente dos EUA deixar o palco, a plateia aplaudiu também o presidente cubano.

Antes do discurso, as imagens mostraram Alicia Alonso, prima ballerina assoluta de Cuba , de 94 anos, que dá nome ao Grande Teatro de Havana.

Reveja o discurso de Obama:

Depois do discurso, Obama reúne-se com membros da sociedade civil, incluindo dissidentes cubanos. Mais tarde irá assistir com a família a um jogo de baseball entre a equipa nacional cubana e a equipa Tampa Bay Rays.

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