O que é o PMDB aos 50 anos?

"Conglomerado de caciques regionais", escreve Maurício Puls. "Sempre sintonizado com a maioria", diz Paulo Baía

O PMDB, que fez 50 anos na semana passada, já foi muitas coisas mas ninguém sabe muito bem definir o que se tornou. Tornou-se, porém, algo importante, uma vez que está no poder desde 1995 e será outra vez decisivo na crise política atual, seja pendendo para o lado do governo Dilma Rousseff seja a favor do 'impeachment'.

"O PMDB é um partido que se defino como de multidões, está sempre sintonizado com o sentimento da maioria da população", diz ao DN Paulo Baía, professor de Ciência Política na Universidade Federal do Rio de Janeiro. "E construiu ao longo de décadas um sólido projeto de hegemonia no Parlamento nacional, com domínio das maiorias na Câmara dos Deputados e Senado. Nessa perspetiva, o PMDB é sempre um partido importante nas eleições, assim como no processo decisório." O jornalista Maurício Puls, num artigo no 'Folha de S. Paulo', chama-lhe "um conglomerado de caciques regionais, sem ideário político-económico capaz de congregar os interesses dos diversos setores sociais".

Fundado em 1966, como Movimento Democrático Brasileiro, abrigou a oposição consentida ao regime militar. Com a redemocratização, elegeu, em 1985, Tancredo Neves, que morreria antes da posse e cederia o lugar a José Sarney - nesse período, Fernando Henrique Cardoso (FHC) abandona o partido para fundar o PSDB.

Como os candidatos do PMDB tiveram resultados medíocres em eleições sucessivas, o partido apostou na criação de uma base parlamentar indispensável para se governar e aliou-se ao PSDB, de FHC, de 1995 a 2002, e ao PT de Lula e Dilma, a partir daquele ano. Desde 1995, portanto, o PMDB é poder.

Em poucas palavras, "é um partido pragmático", segundo Paulo Baía. "O PMDB desenvolveu senso de sobrevivência política sofisticado, que combina maiorias eleitorais no legislativo, capacidade de articulação no executivo, e bom trânsito no poder judicial. O PMDB tem o sentimento dos ventos da vitória, e se coloca sempre na direção desses ventos. É o pragmatismo do PMDB."

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