O polícia desarmado que atacou o terrorista e outras histórias de coragem em Londres

Agentes fora de serviço e anónimos atacaram terroristas em Londres. Há sete mortos e 48 feridos, 21 em estado grave

À medida que as horas passam, são conhecidos mais relatos e testemunhos do que aconteceu na noite de sábado em Londres, quando três homens armados com facas e falsos coletes de explosivos atacaram indiscriminadamente quem passava na London Bridge e os que defrutavam da noite na companhia de amigos ou familiares nos restaurantes do Borough Market.

Chegam agora a público as histórias de coragem de polícias ou anónimos que tentaram interferir para se salvarem e ajudarem os que já tinham sido atingidos - o atentado fez sete mortos e quase 50 feridos. Dos feridos, 21 estão em estado grave, informou ao início da tarde o serviço nacional de saúde britânico.

Um dos primeiros agentes a chegar ao local do atentado estava fora de serviço: foi esfaqueado e está internado em estado grave depois de ter tentado derrubar um dos atacantes com golpes e movimentos de râguebi, desporto que pratica. Correu para o perigo, em vez de se afastar, como fizeram muitos outros agentes nas imediações. Segundo a BBC, um agente da polícia de transportes de Londres, que tinha apenas um bastão, não hesitou e lançou-se contra os terroristas. Está hospitalizado, mas não corre risco de vida.

Tal como os agentes, houve cidadãos que não perderam tempo a agir. Gerard Vowls, que saía de um bar, começou a atirar objetos aos terroristas quando percebeu o que estava a acontecer. "Tentei ajudar, mas no fundo não tinha como me defender", contou. Diz ter percebido que os explosivos eram falsos quando as garrafas e a cadeira que atirava aos terroristas lhes batiam nas costas sem fazer explodir os engenhos.

E também um taxista, que passava no local, tentou atingir um dos autores do ataque com o automóvel. Acelerou contra ele, mas o homem conseguiu desviar-se, depois de já ter apunhalado uma jovem. O condutor diz que acabou por se afastar do local, depois de meter no carro duas raparigas que fugiam e perceber que havia já vários agentes da polícia no encalço do terrorista.

A BBC conta ainda que um casal homossexual que jantava num restaurante assistiu à entrada de um terrorista que esfaqueou uma mulher sentada ao lado deles. O agressor acabou por ser empurrado para fora do estabelecimento pelos clientes, enquanto um dos membros do casal, que é enfermeiro, prestou os primeiros socorros à vítima. Uma vez derrubado o terrorista, os funcionários do restaurante desceram uma porta de segurança e trancaram as entradas. Os serviços de emergência só conseguiram chegar ao local cerca de duas horas depois do ataque, mas a mulher que foi assistida pelo enfermeiro manteve-se consciente graças à ajuda do bom samaritano.

Além dos que agiram durante o ataque, muitos londrinos deram mostras de generosidade e passram as horas seguintes a distribuir comida e água pelas forças de emergência. O gerente de um restaurante McDonald's, por exemplo, fechou o estabelecimento e deu toda a comida que tinha às autoridades que acorriam aos pedidos de auxílio.

12 detidos em Barking

A polícia fez este domingo buscas num edifício em Londres onde alegadamente morava um dos três suspeitos de terem perpetrado o ataque da noite de sábado. Em comunicado, a Metropolitan Police refere que a investigação ao que aconteceu na noite de sábado está a "progredir rapidamente" e que os agentes do comando de contraterrorismo fizeram na manhã de domingo 12 detenções em Barking, leste de Londres, "em ligação aos incidentes da noite passada na London Bridge e na área do Borough Market. As buscas em várias moradas de Barking continuam".

Uma testemunha, citada pela agência Reuters, refere que há grande presença policial na área e que foi estabelecido um cordão de segurança em torno de um bloco de apartamentos.

Uma residente, que pediu anonimato, disse ao The Guardian que julgou reconhecer nas imagens difundidas do ataque um vizinho, de origem paquistanesa, casado e com um filho pequeno. Este domingo, quando acordou, estavam já três agentes da polícia a analisar o automóvel do alegado suspeito, um Peugeot encarnado.

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