O crime não tem género. Europol quer prender as mais procuradas da Europa

As mulheres são capazes de cometer crimes tão graves como os homens, diz a Europol que lançou uma campanha na internet para obter informações sobre as criminosas mais procuradas por crimes cometidos na UE.

São as mulheres tão capazes de cometer crimes graves quanto os homens? A pergunta é feita pela Europol, organização que dá também a resposta: Sim. O número de mulheres envolvidas em criminalidade organizada e grave tem crescido, embora o sexo masculino ainda seja dominante. A prova, diz a Europol, é que na lista dos mais procurados da União Europa (UE) há vários do sexo feminino.

No site dos Mais Procurados da Europa há criminosos de ambos os sexos, sendo homens e mulheres procurados por crimes graves como homicídio, tráfico de drogas, fraude, roubo e tráfico de seres humanos. A nova campanha da polícia da UE é Crime Não Tem Género, em que 21 dos 28 países da Europol apresentam um dos seus criminosos mais procurados, masculino ou feminino. Surgem com a cara tapada com uma máscara e o objetivo é, à medida da revelação de pormenores dos suspeitos, as pessoas adivinharem qual o género do criminoso procurado.

Trata-se de mais uma iniciativa de promoção da participação dos europeus na localização destes fugitivos. O envio de informações para a Europol tem sido muito importante para a captura de fugitivos. "A abordagem provou ser bem-sucedida nos últimos três anos. Após uma grande campanha de comunicação, vários fugitivos procurados foram detidos ou entregaram-se porque a pressão era muito alta para eles e para familiares. Desde o lançamento do projeto, 69 criminosos que apareceram no site Mais Procurados da Europa foram presos. Em, pelo menos, 21 casos, aconteceu devido a informações recebidas do público em geral através do site", adianta a Europol.

Esta campanha virada para o género dos criminosos é mais um passo para obter mais colaboração. Um grupo de 21 estados-membros da UE selecionaram um dos fugitivos mais procurados para participar nesta campanha, com Portugal a não participar. "O foco está na história por trás do crime, começando com uma máscara completa a cobrir o rosto do fugitivo. À medida que a história se desenrola, partes da máscara desaparecem, deixando o espetador a adivinhar o sexo do criminoso", refere a organização policial sediada em Haia, na Holanda.

"O objetivo é atrair o maior número possível de visitantes. A experiência mostrou que, quanto mais se olha para os fugitivos procurados, maior é a hipótese de alguém colocar a peça final do puzzle de forma a permitir localizar e deter a pessoa procurada", diz a Europol. As informações podem ser enviadas de forma anónima através do site, ou diretamente aos investigadores nacionais que procuram o fugitivo.

O papel da mulher no crime é frequentemente de vítima, por ser o sexo masculino dominante no cometimento de crimes. "No entanto, nas últimas décadas, o número de mulheres envolvidas em atividades criminosas aumentou, embora em ritmo mais lento que os homens. Uma das explicações possíveis é que o progresso tecnológico e as normas sociais libertaram as mulheres de casa, aumentando a sua participação no mercado do crime. Os investigadores consideram importante estudar o comportamento criminoso feminino para determinar se as medidas políticas para reduzir o crime devem ser diferentes para as mulheres", explica a Europol.

As mulheres que estão em fuga

Na lista dos mais procurados da Europol estão 66 pessoas, das quais 19 são mulheres. A esmagadora maioria é dos países de Leste, embora os crimes tenham sido cometidos em diferentes países. Espanha é um dos estados com vários casos. Vejamos algumas das fugitivas mais procuradas:

Belga condenada a prisão perpétua

A belga Hilde Van Acker e seu namorado Jean-Claude Lacote foram condenados em 15 de dezembro de 2011 pelo Tribunal de Assize de West-Vlaanderen a prisão perpétua. Ambos foram condenados pelo homicídio do cidadão britânico Marcus John Mitchell cometido em 23 de maio de 1996 em De Haan.

Romena traficante de "escravas sexuais"

De 2003 a 2011, a romena Ildiko Erdente, com a ajuda de oito cúmplices, recrutou meninas romenas (algumas delas menores de idade) e prometia emprego, alojamento e refeição na Alemanha. Na realidade as jovens eram transportadas para a República Checa, onde eram forçadas a ter relações sexuais com clientes do grupo criminoso.

Sérvia em gangue de roubos e homicídio

Ristic Petrovic é um elemento de um gangue de assaltantes especializados em atacar residências de luxo. Está acusada do homicídio de um cidadão italiano de 75 anos cometido em dezembro de 2017, durante um assalto.

Austríaca e a fraude de 4,2 milhões de euros

A austríaca Elisabeth Gertrude Slkarits é acusada de fraude imobiliária em pelo menos 12 casos, em que causou prejuízos a empresas e particulares de 4,2 milhões de euros entre 2005 e 2008. Os crimes foram cometidos como diretora administrativa de uma empresa de administração de propriedades.

Polaca matou o marido a tiro

Dorota Kaźmierska é acusada de ter dado um tiro na cabeça do marido na noite de 29 a 30 de janeiro de 2008. O homem sofreu ferimentos que resultaram na sua morte. Pela sua captura é oferecida uma recompensa de 2300 euros.

Onze portugueses na lista da Interpol

As autoridades portuguesas não recorrem, normalmente, a este tipo de publicitação de criminosos procurados. Só em casos excecionais em que a identidade do autor do crime ainda é desconhecida é que a Polícia Judiciária divulga imagens para obter informações. Nestes casos, como os procurados pela Europol, em que já é conhecida a identidade, é raro ser tornado público que a pessoa em causa é procurada.

Na Interpol, na lista dos criminosos procurados, e são mais de 7000, não se encontra nenhum que seja procurado por Portugal. É uma opção estratégica. Mas os cidadãos portugueses que são alvo de mandados de captura por outros países surgem na lista dos Mais Procurados.

Neste momento estão 11 homens portugueses nessa lista, o que já acontece há longos meses. Não há nenhuma mulher. Ainda consta Duarte Lima, a pedido do Brasil, pelo homicídio de Rosalina Ribeiro, apesar do advogado português estar atualmente a cumprir pena de prisão à custa do processo Homeland. Entre os restantes dez, a maioria está em fuga devido a crimes de tráfico de droga. Há um caso de homicídio. Brasil e EUA são os países que mais criminosos portugueses reclamam.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG