Novo ministro do Interior diz que "o Islão não pertence à Alemanha"

Durante a última legislatura, houve diferenças acentuadas entre as partes Merkel e Seehofer, quanto ao tratamento da crise migratória

O novo ministro do Interior alemão disse hoje que o "Islão não pertence à Alemanha", demarcando-se assim da posição defendida no passado pela chanceler alemã. Entretanto, a chanceler alemã já contradisse o governante ao sublinhar que os quatro milhões de muçulmanos que vivem no país e a sua religião, o Islão, "pertencem à Alemanha".

"Não, o Islão não pertence à Alemanha. A Alemanha está marcada pelo cristianismo", disse Horst Seehofer quando questionado sobre uma frase do ex-presidente alemão Christian Wulff e que mais tarde foi assumida por Angela Merkel.

Na entrevista publicada hoje no jornal "Bild", Seehofer acrescentou, no entanto, que os muçulmanos que vivem no país, "obviamente pertencem à Alemanha".

"Isso, naturalmente, não significa que, por falsa condescendência, devemos desistir dos nossos costumes típicos", acrescentou.

Seehofer, de 68 anos, é o líder da União Social Cristã (CSU) da Baviera, partido aliado da União Cristã Democrata (CDU, direita) de Merkel.

Durante a última legislatura, houve diferenças acentuadas entre as partes - e entre Merkel e Seehofer - quanto ao tratamento da crise migratória.

Seehofer, como ministro do Interior, quer criar as condições para que os requerentes de asilo, cuja petição tenha sido rejeitada, possam ser expulsos mais rapidamente do país.

"Vamos colocar em prática o que pedimos há anos, incluindo declarar mais seguros de países de origem, um plano mestre de deportações e intensificar a luta contra as causas pelas quais as pessoas fogem", afirmou o ministro.

"Àqueles que precisam de proteção naturalmente precisamos de lhes dar e temos de fazer tudo para integrar os que permanecem", acrescentou.

Angela Merkel foi entretanto questionada sobre estas declarações de Seehofer, na primeira entrevista após assumir o cargo, tendo sublinhado que o caráter do país está fortemente marcado pelo cristianismo e recordado quem vivem quatro milhões de muçulmanos na Alemanha, onde exercem a sua religião.

"Estes muçulmanos pertencem à Alemanha tal como a sua religião, o Islão, pertence à Alemanha", sublinhou a chanceler para advogar um Islão de acordo com os princípios da Constituição e defender a convivência entre religiões.

Na habitual conferência de imprensa do executivo, o porta-voz do Ministério do Interior, Johannes Dimroth, disse que as declarações de Seehofer deviam ser consideradas no seu contexto e não através de uma frase isolada.

"O ministro também disse que se deveria continuar a trabalhar com as organizações muçulmanas no âmbito da Conferência Alemã sobre o Islão", disse Dimroth.

(Atualizada às 15:20 com declarações de Angela Merkel)

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