Novo escândalo leva Islândia a eleger o Parlamento pela segunda vez num ano

Sondagem mostra que o partido do primeiro-ministro demissionário está à frente nas intenções de voto. Governo, que durou nove meses, caiu por causa de apoio dado pelo pai de Bjarni Benediktsson a um amigo pedófilo

A Islândia vai hoje às urnas para escolher um novo Parlamento, sendo a segunda vez que o faz no espaço de um ano, depois de um escândalo político ter provocado a demissão do primeiro-ministro, Bjarni Benediktsson. A antecipação destas legislativas foi anunciada por Benediktsson, líder do conservador Partido da Independência, depois de a força centrista Futuro Radioso ter retirado o apoio parlamentar ao governo, formado apenas nove meses antes.

Em causa estava o facto de o primeiro-ministro ter alegadamente escondido que o pai, um dos homens mais ricos da Islândia, assinou uma declaração de "restauração da honra" a favor de um amigo, condenado a cinco anos e meio de prisão por abuso sexual de uma filha menor de idade.

Logo após a convocação das eleições, a maioria das sondagens dava vantagem ao Movimento Esquerda-Verdes, liderado por Katrín Jakobsdóttir. Mas como aconteceu na votação de outubro do ano passado, o Partido da Independência ganhou um novo fôlego mais perto da data da ida às urnas.

Numa sondagem do SSRI e publicada ontem pelo jornal Morgunblaðið, o Partido da Independência lidera as intenções de voto com 24,5%, seguido do Movimento Esquerda-Verdes, com 20,2. O Partido do Centro, formação recém-criada pelo ex-primeiro-ministro Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, surge em quarto (9,3%), acima do seu antigo Partido Progressista (7,9%), que não vai além sétimo lugar nas preferências dos eleitores.

Estes números mostram que coligação governamental de centro-direita deverá perder a sua maioria. As duas forças de centro-esquerda - a Aliança Social-Democrata (15,3%) e o Movimento Esquerda--Verdes - deverão aumentar a sua presença parlamentar, mas ficar aquém de uma maioria que lhes permita formar governo.

Benediktsson, de 47 anos, venceu as eleições de 29 de outubro de 2016 com 29% e conseguiu formar governo em janeiro, depois de prolongadas negociações, graças a uma coligação com o Futuro Radioso e o Renascimento, de centro-direita.

Estas eleições foram também antecipadas após a demissão do então primeiro-ministro, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson, depois de ter sido revelado pelos papéis do Panamá de que ele e a sua família tinham dinheiro offshore.

Já neste mês, o The Guardian revelou que o atual chefe do governo, enquanto era deputado, vendeu bens no valor de milhões de coroas num fundo de investimento bancário pouco antes de o Estado islandês ter assumido o controlo do setor financeiro durante a crise de 2008. Benediktsson negou ter cometido qualquer transgressão.

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