Noite de violência em Seattle e Portland

Dezenas de detenções e um morto em Austin, no Texas.

A polícia declarou a existência de tumultos em Seattle e Portland tendo em seguida usado gás pimenta e granadas de atordoamento contra os manifestantes, numa noite marcada por protestos contra o racismo e pela reforma policial noutras cidades dos Estados Unidos.

Registaram-se ainda manifestações em Austin, Texas; Louisville, Kentucky; Nova Iorque; Omaha, Nebraska; Oakland e Los Angeles na Califórnia, e Richmond na Virgínia.

Em Austin, um homem foi morto num tiroteio que deflagrou no sábado à noite num protesto na zona do centro da capital do estado do Texas. Uma testemunha disse ao jornal local Austin Statesman que o incidente ocorreu quando um homem dirigiu um automóvel em direção à multidão. O veículo foi então cercado por manifestantes aos gritos, e um aproximou-se do veículo com uma espingarda. O motorista enfiou então uma arma pela janela do carro e disparou vários tiros, atingindo o homem armado, antes de se afastar. O atirador acabou detido.

Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), em Seattle, no estado de Washington, a noite de sábado foi particularmente agitada, com a Polícia a responder com gás pimenta a uma tentativa dos manifestantes de atear fogo a um centro de detenção juvenil.

De acordo com a agência AP, a polícia disse ter sido alvo dos manifestantes que terão atirado pedras, garrafas e artigos pirotécnicos.

Alguns dos manifestantes tentaram proteger-se do gás pimenta com guarda-chuvas, segundo um repórter da AFP no local, que também testemunhou detonações.

A chefe da polícia de Seattle, Carmen Best, apelou ao fim da noite para a paz numa conferência de imprensa. Na ocasião negou ter visto as forças federais enviadas por Donald Trump, razão pela qual os protestos redobraram de ânimo.

Milhares de manifestantes reuniram-se pacificamente perto do centro da cidade numa manifestação de solidariedade com outros manifestantes em Portland, Oregon, devido às tensões com as forças federais.

Segundo a polícia, contudo, uma dúzia de pessoas entraram num local de construção de um centro de detenção juvenil e ateado fogo. Além disso, os manifestantes terão partido janelas de um tribunal.

Em Portland, o epicentro dos protestos, confrontos entre manifestantes e agentes da polícia voltaram a marcar a noite naquela localidade do estado de Oregon, que tem sido palco de manifestações contra o racismo nos últimos dois meses.

Os manifestantes tentaram derrubar uma barreira em frente ao tribunal federal, de acordo com a AFP. As forças de segurança também responderam com gás lacrimogéneo, dispersando a multidão. Os confrontos terminaram madrugada alta, com um número de detidos não divulgado.

Uma vaga de manifestações tem decorrido nas ruas de Portland, no estado de Oregon, desde a morte do afroamericano George Floyd às mãos da polícia, em maio, em Minneapolis, tal como sucedeu no resto do país e no mundo.

A situação agravou-se desde que o presidente dos Estados Unidos decidiu enviar agentes federais, no início do mês, para conter a agitação, medida que levou a protestos dos líderes democratas do estado de Oregon.

Em numerosos vídeos divulgados nas redes sociais, os agentes, vestidos com uniformes paramilitares, são vistos a deter manifestantes em carros não identificados, alimentando a ira popular e os protestos.

Na sexta-feira, um juiz negou o pedido feito pela procuradora-geral de Oregon, Ellen Rosenblum, para, "com efeito imediato, impedir as autoridades federais de deter ilegalmente os cidadãos" daquele estado.

Rosenblum processou o administração de Donald Trump, tendo alegano que os agentes federais prenderam manifestantes sem causa provável, os levaram em carros não identificados e usaram força excessiva.

Mas o Departamento de Justiça dos EUA argumentou com sucesso que a proibição do uso de armas de controlo de multidões poderia na realidade levar a um aumento do uso de força pela polícia, deixando-a apenas com armas mortíferas.

O Departamento de Justiça anunciou na quarta-feira que vai conduzir uma investigação sobre a conduta dos agentes federais que responderam a distúrbios em Portland e Washington.

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