No Labour já se afiam as facas contra Corbyn

Várias figuras do Partido Trabalhista reagiram aos maus resultados nestas eleições, em que as projeções lhes dão 191 deputados (menos 71 do que em 2017), com ataques ao seu líder. E a sua saída já começa a ser sugerida.

"Um golpe devastador", "Odiavam Johnson, mas temiam Corbyn" ou "as pessoas não conseguiram ver o Labour como um veículo da mudança". Estas foram apenas algumas das primeiras críticas que se fizeram ouvir entre os trabalhistas depois de as primeiras projeções deixarem antecipar uma derrota pesada do Partido Trabalhista - a pior da formação desde 1935.

A acreditar na sondagem Ipsos Mori realizada à boca das urnas, o Labour conseguirá 191 deputados, menos 71 do que nas eleições de 2017. A quarta derrota seguida do partido depressa se traduziu em críticas contra Jeremy Corbyn, o líder trabalhista que nunca deixou muito clara, ao longo da campanha, a sua posição em relação ao grande assunto em causa: o Brexit.

Para Barry Gardiner, o ministro sombra do Comércio Internacional, estes resultados são "um golpe devastador" e uma "previsão profundamente deprimente". Na Sky News, Gardiner garantiu que era ainda prematuro, mas admitiu que os resultados serão debatidos nos próximos dias.

Foi esse também o sentido das declarações de John McDonnel. Também à Sky News, o ministro sombra das Finanças adiou qualquer decisão sobre uma eventual mudança na liderança para esta sexta-feira de manhã. "As decisões serão tomadas nessa altura. E vamos sempre tomá-las no melhor interesse do partido", garantiu na BBC. E quanto ao Brexit, admitiu: "A grande questão era o Brexit. Parece que as pessoas queriam uma decisão. Devíamos ter escolhido [Ficar ou Sair]".

"A grande questão era o Brexit. Parece que as pessoas queriam uma decisão. Devíamos ter escolhido [Ficar ou Sair]".

Poucos minutos depois de conhecidos os primeiros resultados, o mesmo McDonnell mostrou-se "extremamente desiludido" com estas projeções. Mas questionado sobre a hipótese de se candidatar à liderança do Labour, ou mesmo de assumir a liderança de forma interina, o ministro sombra das Finanças garantiu: "Não é o que quero fazer".

Apesar de tudo, McDonnell tentou defender Corbyn, acusando os media de terem feito uma campanha contra ele, mas "à medida que a campanha avançava vimos que as sondagens começaram a melhorar". Quanto ao facto de os eleitores trabalhistas poderem ter sido afastados pelo manifesto claramente de esquerda do líder trabalhista, o ministro sombra desvalorizou: "Vou questionar isso - o que fica claro com estes resultados é que estas foram as eleições do Brexit".

#CorbynOut

A verdade é que com a hashtag #CorbynOut a começar a ganhar balanço no Twitter, a pressão para que Corbyn se demita vai subir nas próximas horas. Até à meia noite, o líder trabalhista não tinha ainda reagido.

Com os votos a serem já contados, a deputada Siobhain McDonagh não hesitou em garantir que os mais resultados do Labour eram "culpa de um só homem". No Twitter, McDonagh escreveu: "A minha circunscrição foi abandonada por Jeremy Corbyn. Os que não têm casa, nem emprego decente e que se preocupam com o NHS [o equivalente britânico ao serviço nacional de saúde]. Eu preocupo-me com os meus eleitores".

A McDonagh junta-se o também deputado Ian Murray. "A cada porta que bati, e eu e a minha equipa falámos com 11 mil pessoas, todos referiram Corbyn. Não o Brexit, mas Corbyn. Há anos que digo isto. O resultado é que desiludimos o país e temos de mudar de rumo rapidamente".

Também no Twitter, Greg Cook, o homem responsável pelas sondagens dos trabalhistas na era pré-Corbyn, lembrou que em 2015, quando este foi eleito líder, estes maus resultados já se adivinhavam. "Todos aqueles que estavam fora do culto sabiam a 12 de setembro de 2015 que isto ia acabar assim. Íamos nesse caminho em 2017 quando um estranhíssimo clube de fãs salvou o Labour. Demasiadas pessoas iludiram-se achando que era mais do que uma reação a uma campanha condescendente dos conservadores".

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