Motorista sequestra e incendeia autocarro escolar em Itália. 51 crianças resgatadas com vida

De acordo com testemunhas, o homem, um italiano nascido no Senegal, terá gritado: "Parem com as mortes no Mediterrâneo." Incendiou o autocarro, mas todas as crianças forma retiradas a tempo.

Estavam 51 crianças a bordo do autocarro que foi sequestrado pelo próprio motorista - um italiano de 47 anos originário do Senegal, entretanto detido. O transporte escolar foi desviado para uma zona perto de Milão, em Itália.

"Ninguém vai sobreviver", ameaçou o condutor, segundo as autoridades. A polícia conseguiu, no entanto, resgatar os reféns através da parte traseira do autocarro. Algumas crianças tinham sido amarradas e 14 pessoas inalaram fumo.

"Foi um milagre, poderia ter sido um massacre", disse Francesco Greco, do Ministério Público italiano.

De acordo com a BBC, um professor que estava no autocarro contou que o homem estava zangado com a política de imigração italiana - testemunhas afirmam que o homem gritou "Parem com as mortes no Mediterrâneo".

O autocarro estava ocupado por duas turmas de adolescentes - acompanhados por adultos - que saíram de uma escola em Vailati di Crema com destino a um ginásio. O motorista terá saído da rota definida e começado a dirigir o autocarro, aparentemente, para o aeroporto de Linate, em Milão.

O autocarro foi sequestrado durante 40 minutos e embateu em vários carros da polícia antes de começar a reduzir a velocidade.

Há relatos de que o motorista ameaçou algumas das crianças com uma arma branca e terá regado o veículo com gasolina. O autocarro acabou por arder completamente.

O Ministério Público de Milão está a investigar a motivação do homem e não descarta a hipótese de terrorismo.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?