NATO considera inaceitáveis ameaças russas sobre mísseis

A NATO considerou esta quarta-feira "inaceitáveis" as ameaças do presidente russo Vladimir Putin de deslocar novos mísseis com capacidade para atingir os territórios dos países aliados.

"As declarações russas que ameaçam eleger os aliados como alvos não são aceitáveis", advertiu o porta-voz adjunto da NATO, Piers Cazalet. "A NATO é uma aliança defensiva, pronta a defender todos os seus membros contra qualquer ameaça", afirmou.

O presidente da Rússia ameaçou os aliados com a instalação de mísseis capazes de atingir os seus territórios se os Estados Unidos deslocarem novos sistemas deste armamento para a Europa.

"Se forem transferidos e entregues no continente europeu, essa decisão envenenará gravemente a situação e criará graves ameaças para a Rússia", advertiu.

"Vou dizê-lo de forma clara e abertamente: a Rússia será forçada a deslocar armamentos que poderão não apenas ser utilizados contra territórios de onde possa surgir uma ameaça direta, mas também contra territórios onde se encontrem os centros de decisão de utilização dos mísseis que nos ameaçam", anunciou.

"As afirmações russas contra o sistema de defesa antimíssil da NATO constituem uma tentativa flagrante de desviar a atenção da sua violação do Tratado INF", respondeu a NATO.

"Como afirmámos claramente em diversas ocasiões, a defesa antimíssil da Aliança é puramente defensiva. Os locais de Aegis Ashore na Roménia e na Polónia estão em total conformidade com o Tratado INF", assegurou o porta-voz.

Os Estados Unidos decidiram retirar-se do tratado bilateral sobre forças nucleares de curto e médio alcance, assinado em 1987 com a ex-União Soviética, após ter acusado Moscovo de violação do acordo ao desenvolver um novo sistema de mísseis com capacidade para atingir as capitais europeias.

"Como já indicou o secretário-geral da NATO, qualquer resposta será unida e contida, e a NATO não tem qualquer intenção de deslocar novas armas nucleares terrestres para a Europa", acrescentou o porta-voz.

"Apelamos à Rússia para se concentrar no regresso ao respeito do Tratado sobre as forças nucleares de alcance intermediário", assinalou.

"Estamos prontos para negociações sobre desarmamento, mas não contamos bater a uma porta fechada. Esperamos que os nossos parceiros reconheçam a necessidade de um diálogo numa base de igualdade", sustentou por seu turno Vladimir Putin.

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