Natal covid-19. "Neste ano, salvar vidas deve vir antes das celebrações"

Bruxelas admite risco com "reuniões em espaços fechados" e recomenda "vigilância e cautela contínuas" no período das "festas de fim de ano".

A Comissão Europeia vai lançar uma estratégia para a "gestão sustentável" da pandemia durante o inverno, considerando que este "período pode representar um risco de aumento da transmissão do vírus devido a circunstâncias específicas".

O exemplo principal apontado por Bruxelas como fator de risco de contágio são "as reuniões em espaços interiores". A estratégia recomenda "vigilância e cautela contínuas durante todo o período de inverno e até 2021", apesar de ser um período que deverá coincidir com o "lançamento de vacinas seguras e eficazes".

A Comissão quer organizar o levantamento gradual e coordenado das medidas de contenção, e promete dar "mais orientações", para que essa abordagem "fundamental" possa evitar novas infeções.

"Uma abordagem coordenada à escala da UE é fundamental para esclarecer as pessoas e evitar o reaparecimento do vírus associado às férias de fim de ano", defendem os peritos de Bruxelas, salientando que "qualquer relaxamento das medidas deve ter em consideração a evolução da situação epidemiológica e a capacidade de testes, rastreio de contactos e tratamento dos pacientes".

A comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, dramatizou o discurso dizendo que "a situação atual pode estar estabilizar, mas continua delicada", e "a cada 17 segundos, uma pessoa perde a vida devido à covid-19 na Europa".

"Por isso, as festas de fim de ano serão diferentes", afirmou a comissária (na mesma linha do que tinha feito a OMS), para quem é importante que cidadãos e autoridades "não comprometam os esforços desenvolvidos por todos nas últimas semanas e meses".

"A cada 17 segundos, uma pessoa perde a vida devido à covid-19 na Europa."

"Neste ano, salvar vidas deve vir antes das celebrações", vincou, apontando para "o horizonte, de esperança", pela proximidade de uma possível autorização para o uso de emergência das candidatas a vacinas contra a covid-19.

"Todos os Estados membros devem agora estar prontos para iniciar campanhas de vacinação e distribuição de vacinas o mais rapidamente possível, logo que uma vacina segura e eficaz esteja disponível", apelou.

A propósito da coordenação a nível europeu, o vice-presidente para a Promoção do Modo de Vida Europe", Margaritis Schinas, defendeu "uma abordagem comum para enfrentar a época de inverno", considerando que "é de vital importância" que as autoridades de cada um dos países saibam "como gerir o período de final de ano".

"Precisamos de impedir futuros surtos de infeção na União Europeia", salientou, considerando que "é apenas através de uma gestão sustentada da pandemia que evitaremos novos bloqueios e restrições severas".

A estratégia da comissária da Saúde assenta em seis níveis de ação, a partir dos quais espera conter a propagação do vírus, nos países da União Europeia, e para "manter a pandemia sob controlo" até que as vacinas estejam "amplamente disponíveis".

Algumas medidas têm sido difundidas nos últimos meses como "o distanciamento físico e a limitação de contactos sociais", que Bruxelas considera "fundamentais para os meses de inverno, incluindo o período de férias".

A Comissão deixa uma larga margem de manobra às autoridades nacionais para "direcionarem as medidas, com base na situação epidemiológica local, para limitar o impacto social e económico e aumentar a aceitação pelas pessoas".

"Testes e rastreio de contactos são essenciais para detetar focos e interromper a transmissão", propõe a Comissão, elegendo as "aplicações nacionais de localização de contactos", como a StayAway Covid.

O plano da Comissão sugere indicações em matéria de viagens, admitindo que "com o possível aumento de deslocações durante as férias de fim de ano, é exigida uma abordagem coordenada".

"A infraestrutura de transporte deve ser preparada e os requisitos de quarentena, que podem ocorrer quando a situação epidemiológica na região de origem é pior do que o destino", admitem os peritos, propondo que os critérios estejam "claramente comunicados".

Além do mais, deve haver "um dispositivo e pessoal de saúde". A aquisição conjunta pode resolver a escassez de equipamentos médicos.

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