Nasceram bebés com deficiências em zona de testes nucleares da Coreia do Norte

Habitantes da região estão proibidos de ir à capital do país. Entre os residentes locais existe o receio de contaminação, dizem dissidentes

Kilju, na província de Hamgyong, no nordeste da Coreia do Norte, é o local de testes nucleares do regime de Kim Jong-un. Agora, relatos dão conta de que a região está a ficar desolada. E não só, os habitantes locais estão proibidos de ir a Pyongyang e dissidentes afirmam que já nasceram vários bebés com deficiências. A culpa, dizem, é da radiação, depois de seis testes nucleares debaixo de terra.

Uma associação que inclui vários dissidentes norte-coreanos - a Research Association of Vision of North Korea - entrevistou, nos últimos anos, 21 pessoas que viviam na região de Kilju, afirma o Chosunilbo, um dos mais antigos jornais sul-coreanos.

"Um familiar meu, que está em Kilju, disse-me que estão a nascer bebés com várias deficiências", afirmou uma testemunha. Outra disse que os poços secaram e os habitantes têm medo de beber água devido a uma possível contaminação com radiação.

Cerca de 80% das árvores plantadas na região morrem e vários dissidentes afirmaram que os locais não são avisados dos testes. "Durante o primeiro teste nuclear (outubro de 2006) e o segundo (maio de 2009), apenas os familiares dos soldados foram levados para lugares seguros. As pessoas comuns não estavam cientes dos testes", disse um dissidente segundo o mesmo jornal.

Existem também relatos de corpos mutilados a flutuarem nos rios e que os habitantes são obrigados a cavar buracos para os testes.

Outra fonte afirmou que os locais estão proibidos de ir à capital da Coreia do Norte, apesar de terem já consultas marcadas no maior hospital de Pyongyang. "Não os deixaram entrar na capital depois do sexto teste nuclear", afirmou este dissidente.

Quem tenta levar amostras de solo, água e folhas da região de Kilju é enviado para campos de prisioneiros, acrescenta o jornal sul-coreano. Assim, oficiais tentam que relatos da região não se espalhem para outras partes do norte do país.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG