"Não há um Plano B". Alunos nas ruas de Londres pelo ambiente

Jovens fizeram greve às aulas para chamar a atenção do governo britânico para o perigo das alterações climáticas

Milhares de estudantes optaram esta sexta-feira por abandonar as aulas no Reino Unido para lutar pelo futuro do planeta, tendo manifestado a sua vontade em alterar o contexto atual do meio ambiente e lutar contra as ameaças ecológicas. "Não existe nenhum plano B", "Quando é que as crianças se tornaram os adultos?" e "Porque é que tenho que limpar o meu quarto quando o mundo está uma confusão?" são algumas das mensagens que se podem ler nos cartazes.

Os jovens pretendem chamar a atenção da sociedade, exigindo que a idade para votar seja reduzida para 16 anos e exigem que o governo de Londres declare uma emergência climática, tornando assim a luta pelo ambiente uma prioridade para a população. A Youth Strike 4, a organização responsável pela manifestação contou à BBC que esta teve lugar em mais de 60 cidades da Grã-Bretanha, como Londres, Brighton, Oxford e Exeter.

Este movimento iniciou-se com Greta Thunberg que, então com 15 anos, decidiu fazer uma greve à porta do Parlamento Sueco. Estávamos em 2018 e Greta denunciou os países que não cumprem as exigências do Tratado de Paris. Desde então, e seguindo o seu exemplo, dezenas de milhares crianças realizam protestos a favor do meio ambiente em 270 cidades de países como Bélgica, Alemanha, Suécia, Suíça ou Austrália.

No início desta semana, mais de 200 académicos, escreveram ao The Guardian dizendo apoiar a greve dos jovens, denunciando a falta de ação por parte dos políticos. Já para o ministro da Educação, Damian Hinds, esta não é a solução. Hinds diz que "faltar às aulas não ajuda o meio ambiente, só dá trabalho extra aos professores".

A ex-responsável pelas questões climáticas da ONU, Christiana Figueres, mostrou apoiar a causa, dizendo que este movimento só mostra que os adultos estão a falhar na "responsabilidade de proteger" o planeta para os mais jovens e que está na hora de prestar atenção ao que estes têm a dizer. Claire Perry, secretária de Estado da Energia britânica, afirma por seu lado estar orgulhosa da atitude dos jovens e confidenciou à BBC que se a manifestação tivesse acontecido "há 40 anos, suspeito que estaria lá também".

Jasper Giles, um aluno de seis anos foi à manifestação com a mãe, Alissia, que defende a greve dos jovens. "Acho que vale a pena tirar um dia de folga da escola para mostrar que se apoia este movimento, acho que é realmente importante" afirmou ao Huffington Post. Kate Raworth, mãe de outra criança que participou na manifestação, partilhou um tweet em que mostra uma carta do filho para a professora em que este justifica a falta às aulas por considerar que "a mudança climática é importante".

O mais recente relatório da ONU alerta que só nos restam 12 anos para evitar os piores efeitos do aquecimento global, desde secas a ondas de calor até ao aquecimento dos oceanos e o degelo dos glaciares. Em Portugal, alguns grupos de estudantes estão também a divulgar greves e protestos para 15 de março no âmbito do movimento global de luta contra as alterações climáticas.

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