"Não desistimos de chegar à paz", diz líder israelita a Barack Obama

Primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e presidente dos EUA estiveram mais de um ano sem se reunirem

"Não desistimos de chegar à paz". Foi esta a garantia que o primeiro-ministro israelita ontem deixou no seu encontro com o presidente norte-americano na Casa Branca - o primeiro no espaço de 13 meses.

Benjamin Netanyahu disse a Barack Obama que Israel continua empenhado em encontrar com os palestinianos uma solução "de dois Estados para dois povos". Mas manteve a exigência de que aqueles reconheçam que Israel é um Estado judaico.

O presidente dos Estados Unidos, por seu lado, reafirmou: "A segurança de Israel é uma das prioridades da política externa e isso está expresso não só em palavras". Obama condenou a recente vaga de violência palestiniana - a que alguns chamaram nova Intifada - e sublinhou o direito que Israel tem a assegurar a sua defesa. Porém, o líder norte-americano disse estar interessado em ouvir as ideias do primeiro-ministro israelita para reduzir a escalada de tensão.

Desde que começou, em princípios do mês de outubro, a onda de violência entre as duas partes já fez 76 mortos do lado palestiniano e 11 do lado israelita. Ainda ontem foram divulgadas imagens das câmaras de videovigilância que mostram uma palestiniana de 24 anos a tentar esfaquear um polícia israelita na Cisjordânia. Foi abatida a tiro e acabou por morrer.

O encontro de ontem entre Netanyahu e Obama é entendido como um passo importante na negociação de um novo acordo de assistência dos EUA a Israel para os próximos dez anos. Atualmente, os israelitas recebem 3,1 mil milhões de dólares por ano dos EUA (cerca de 2,8 mil milhões de euros), mas quer ver essa quantia aumentar para cinco mil milhões anuais no próximo pacote de ajuda. Segundo disseram fontes do Congresso norte-americano à Reuters um tal acordo poderia significar uma assistência de 50 mil milhões de dólares durante uma década (cerca de 46,5 mil milhões de euros).

A relação entre os líderes de Israel e dos Estados Unidos tinha atingido um nível baixo por causa das negociações sobre o programa do nuclear iraniano. Anunciado no mês de julho, o acordo com Teerão foi uma das prioridades da política externa norte-americana dos últimos meses. Netanyahu expressou em várias ocasiões a sua oposição a um tal acordo e tem alertado sucessivamente para o perigo regional e mundial de o Irão poder vir a ter acesso à bomba atómica.

O desentendimento entre Netanyahu e Obama atingiu o seu auge em março, quando, à revelia do presidente dos EUA, o líder israelita aceitou o convite dos republicanos para discursar no Congresso norte-americano contra as negociações daquele mesmo acordo com os iranianos. Aplaudido pelos opositores de Barack Obama, o primeiro-ministro israelita não foi então recebido pelo chefe do Estado norte-americano (saído do Partido Democrata).

Na altura Benjamin Netanyahu deixou um aviso: "Este regime será sempre um inimigo da América. A batalha contra o Estado Islâmico não torna o Irão amigo dos EUA. Eles querem um império islâmico, apenas discordam sobre quem o vai liderar, se é uma República Islâmica [do Irão] ou um Estado Islâmico. A diferença é que o Estado Islâmico usa facas e o Irão pode usar mísseis intercontinentais".

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