Trump vai considerar a hipótese de testemunhar

Presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, reagiu às críticas do presidente norte-americano sobre a forma como está a decorrer o processo que visa tentar a sua destituição e convidou-o a testemunhar. Trump já respondeu ao convite.

"Se [Donald Trump] tem informações que o ilibam, estamos ansiosos para vê-las", afirmou a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, numa entrevista divulgada neste domingo (17 novembro) no programa "Face the Nation", da CBS. Pelosi propôs que no processo de destituição o presidente dos EUA responda às questões por escrito, se preferir.

Donald Trump já reagiu ao desafio lançado por Pelosi e, pelo Twitter, afirmou que está a considerar a hipótese de testemunhar no processo que visa a sua destituição.

"Embora eu não tenha feito nada de errado e não goste de dar credibilidade a este embuste que não leva a lado nenhum, agrada-me a ideia e irei (...) considera-la seriamente, escreveu o presidente dos EUA na rede social.

O Congresso norte-americano iniciou na semana passada as audições públicas do inquérito para uma eventual destituição de Donald Trump, ouvindo duas figuras relevantes do Departamento de Estado acerca de alegada pressão sobre um líder estrangeiro para proveito do presidente norte-americano.

As audições públicas do processo de 'impeachment' estão a ser transmitidas em direto por vários canais televisivos norte-americanos, mas a Casa Branca já informou que Donald Trump não assiste aos trabalhos no Congresso, porque "está a trabalhar".

Também o líder democrata do Senado, Chuck Schumer, considerou que o presidente devia estar presente no inquérito, afirmando que, se Donald Trump não concorda com o que está a ouvir, não devia enviar mensagens pelo Twitter, mas sim testemunhar.

"Devia vir ao comité testemunhar sob juramento e permitir que aqueles que o rodeiam venham ao comité e testemunhem sob juramento", disse, alegando que o facto de o presidente impedir que os funcionários da Casa Branca testemunhem levanta suspeitas sobre o que podem estar a esconder.

O Comité de Investigação do Congresso inicia esta segunda-feira a segunda semana de audições públicas, estando vários nomes importantes agendados, como Gordon Sondland, embaixador dos Estados Unidos na União Europeia.

Sondland confirmou em outubro que o presidente dos Estados Unidos queria que o Governo da Ucrânia investigasse o filho do seu rival e antigo vice-Presidente Joe Biden.

O ex-membro do Conselho de Segurança nacional dos EUA Tim Morrison, que se demitiu na véspera de testemunhar no Congresso, disse aos investigadores, que Trump e Sondland tinham discutido a Ucrânia em conversas telefónicas e referiu que os dois conversaram cinco vezes, entre 15 de julho e 11 de setembro, período em que os Estados Unidos suspenderam a ajuda militar à Ucrânia.

Os democratas suspeitam que Trump pressionou o seu homólogo ucraniano Zelensky, suspendendo uma ajuda militar, a inquirir a família Biden, que tem interesses neste país do leste europeu.

O testemunho de Morrison contradiz muito do que Sondland disse aos investigadores do Congresso durante o seu próprio depoimento à porta fechada, que o embaixador mais tarde alterou.

Trump garantiu, por seu lado, que não se lembra do telefonema e referiu que mal conhecia Sondland, um dos patrocinadores da sua campanha de 2016.

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