Música que apela à mobilização torna-se hino dos protestos

Hong Kong é palco de protestos há mais de dois meses. Manifestação tem sido marcada por violentos confrontos entre manifestantes e polícia.

Uma música composta por um anónimo, que apela à mobilização das pessoas, tornou-se em poucos dias no hino não-oficial dos protestos em Hong Kong, sendo cantada pelos manifestantes nas ruas, nos centros comerciais e até nos estádios.

"Glória a Hong Kong" apareceu na rede social YouTube a 31 de agosto e foi rapidamente adotada pelas multidões que protestam há mais de três meses pelo recuo das liberdades e direitos na ex-colónia britânica e pelas interferências de Pequim nos assuntos de Hong Kong.

"Por todas as lágrimas derramadas em nossa terra. Ouçam a cólera em nossos prantos" (...). "Levante-se e tome a palavra, nossa voz em eco. A liberdade nos iluminará", diz um trecho da música.

Em menos de duas semanas, a versão original foi vista mais de 1,3 milhão de vezes e proporcionou múltiplas versões, incluindo a de uma orquestra a usar capacetes, óculos e máscaras de gás, objetos emblemáticos da contestação em Hong Kong.

Todas as noites desta semana, manifestantes reuniram-se em centros comerciais da cidade para cantar essa música. Os meios de comunicação locais mostraram os manifestantes a cantar a música pelos vários centros comerciais, bem como em outros pontos de Hong Kong, inclusive nas proximidades de uma estação de metro.

Na quarta-feira à noite, centenas de manifestantes encontraram-se no bairro de Sha Tin para entoar o cântico. Já na noite de terça-feira, antes do jogo de futebol entre Hong Kong e Irão, os adeptos locais vaiaram o hino chinês "Marcha dos Voluntários", quando este foi tocado no estádio antes do início do jogo, tendo cantado "Glória a Hong Kong" quando a partida teve início.

A indignação com a bandeira ou o hino chinês, que também é o hino de Hong Kong, é um crime na China continental.

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