Muro de Trump já mexe, só falta saber quem o vai pagar

Oito protótipos já começaram a ser construídos em Otay Mesa, ponto de passagem com o México. O seu custo está garantido, mas Congresso bloqueia financiamento do resto da obra.

Donald Trump prometeu construir um "grande e belo muro" na fronteira entre os EUA e o México. Dentro de 30 dias, o presidente poderá escolher entre os oito protótipos que ontem começaram a ser construídos em Otay Mesa, ponto de passagem entre Tijuana e San Diego. Com nove metros de altura por nove de comprimento, os protótipos custam cerca de 450 mil dólares cada e serão pagos por fundos federais já atribuídos pelo Congresso. Mas sem acordo sobre os restantes 1500 milhões pedidos por Trump para terminar a obra e com o México pouco inclinado em pagar pelo muro, como o presidente tanto insiste, o futuro do muro parece incerto.

Rodeados por um forte dispositivo de segurança, com agentes federais, estatais e locais a vigiarem o início das obras, preocupados com a possibilidade de o local ser palco de protestos em larga escala contra o muro, os trabalhadores de seis das oito empresas que venceram um concurso público deitaram mãos à obra logo pela manhã. Segundo o San Diego Union-Tribune, há várias semanas que as autoridades preparavam a área, erguendo barreiras, bloqueando estradas, instalando câmaras de vigilância ou delimitando espaços para estacionamento.

Mas para já, nem um manifestante à vista. A explicação para a ausência de protestos pode prender-se com a convicção de quem se opõe ao muro de que o Congresso é o seu maior adversário, bloqueando o financiamento para a obra.

Dos protótipos aprovados, quatro são em betão e os outros quatro de materiais diversos. Uma vez construídos, a guarda fronteiriça terá três meses para avaliar a eficiência dos vários designs, incluindo a sua resistência à penetração com ferramentas de mão. "Estamos empenhados em garantir a segurança da nossa fronteira e isso inclui construir muros", explicou Ronald Vitiello, comissário adjunto da agência aduaneira e de proteção das fronteiras dos EUA. E o próprio Trump já prometeu ir lá, "olhar para eles [os protótipos] pessoalmente e escolher o melhor".

Num recente discurso no Alabama, o presidente Trump explicou estar à procura de opções para um muro que não seja em cimento, permitindo ver através da construção. "O muro está a acontecer. De facto, já devem ter reparado que já temos lá um muro e já o estamos a renovar. Esta a ficar imaculado, perfeito, melhor que novo, mesmo se podia ser um pouco mais alto, mas tudo bem. E estamos a construir amostras de um novo muro. Sabem, tem de ser transparente", explicou o presidente. Só assim os guardas fronteiriços americanos poderão ver e evitar serem atingidos, acrescentou Trump, pelos sacos cheios de drogas lançados do outro lado pelos traficantes mexicanos. Noutras intervenções, o presidente sugeriu que partes do muro poderão ter painéis solares.

Dados oficiais divulgados em abril mostram que número de ilegais detidos após atravessar a fronteira entre México e EUA foi de 17 mil no último ano, baixando para valores semelhantes aos de 2000.

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