Munições que mataram Marielle Franco tinham sido vendidas à Polícia Federal

Balas faziam parte do lote utilizado em 2015, na maior chacina em São Paulo, pela qual foi condenado um Polícia Militar e acusados outros dois, além de um polícia municipal

As munições que mataram a ativista e deputada municipal brasileira Marielle Franco e o seu motorista faziam parte de um lote que foi também usado na maior chacina de São Paulo, em 2015, com mais de 15 mortos, avança a imprensa brasileira. Segundo o jornal brasileiro O Globo, aquele lote tinha sido vendido à Polícia Federal de Brasília em dezembro de 2006, e as autoridades estão agora a investigar se houve desvio das munições.

A conclusão surgiu depois da análise das cápsulas que foram encontradas no local do crime. O carro onde a ativista viajava terá sido seguido por vários quilómetros por outro, de onde partiram os disparos que assassinaram a política de 38 anos e o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, na noite de quarta-feira, no centro da capital carioca.

Marielle Franco, nascida e criada na favela da Maré e eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), vinha de um encontro com mulheres e ativistas negras. Segundo o jornal O Globo, a polícia acredita que tenha sido uma execução, uma vez que nada foi roubado, e que a ativista foi atingida quatro vezes na cabeça.

O jornal A Folha de São Paulo cita fontes da investigação e escreve que há imagens que mostram que o carro foi seguido por outros dois, que fazem sinais de luzes um para o outro quando a política deixa o debate.

No dia anterior à sua morte, a 13 de março, a política escrevera sobre a morte de um jovem baleado à saída da igreja: "Mais um homicídio que pode entrar para a conta da PM [Polícia Militar]. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?"

Grande comoção no Brasil

O assassinato de Marielle Franco gerou grande comoção no Brasil e também no estrangeiro. O Presidente brasileiro, Michel Temer, usou a rede social Twitter para afirmar que o crime foi um "ato de extrema cobardia".

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse, após uma reunião com o general Walter Souza Braga Netto, que comanda a intervenção federal na segurança pública do Rio e Janeiro, que irá acompanhar pessoalmente a investigação do caso até que ele se encerre. "Vamos encontrar e vamos punir os responsáveis por este bárbaro crime. Pelo tempo que for necessário, pelo custo que for necessário, vamos fazer Justiça à vereadora que tombou por crime", declarou.

O deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo, que lançou e apoiou a candidatura de Marielle Franco na câmara municipal 'carioca', afirmou que o crime tem "características nítidas" de execução e que o assassinato dela foi "um crime contra a democracia".

A procuradora-geral da Republica do Brasil, Raquel Dodge, declarou que "não faltarão recursos e meios para o desvendamento deste crime contra uma importantíssima defensora dos direitos humanos no Rio de Janeiro".

Com Lusa

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