Múmia de mulher rica encontrada na Suíça é parente de Boris Johnson

Cientistas encontraram o corpo bem conservado numa igreja da Basileia

Cientistas da cidade suíça de Basileia resolveram um mistério de décadas sobre a identidade de uma mulher mumificada encontrada numa igreja da cidade. E a resposta é surpreendente: o corpo pertence a uma antepassada do ministro dos Negócio Estrangeiros do Reino Unido, Boris Johnson.

De acordo com a BBC, que conta a história, a múmia foi descoberta em 1975, durante trabalhos de reforma na Igreja Barfüsser, na Basileia. A mulher tinha sido enterrada em frente ao altar e, pelo aspeto do corpo, tinha vivido bem: estava bem alimentada e a roupa era de boa qualidade.

Os cientistas concluíram que aquele era o corpo de uma senhora rica que vivera em Basileia, mas não sabiam muito mais sobre a sua identidade: não existia nenhuma lápide com o nome inscrito e o teste inicial realizado ao caixão indicou que talvez tivesse vivido no século XVI.

Tinham, no entanto, outra pista: o corpo estava contaminado com mercúrio, o tratamento padrão para a sífilis desde o final do século XV até ao século XIX. Só nessa altura se provou que o mercúrio - uma substância altamente tóxica - era mais frequentemente a causa da morte do que uma hipótese de cura. Mas foi precisamente o mercúrio que preservou o corpo da mulher.

Os cientistas socorreram-se, então, da História: nos séculos XVI e XVII Basileia já era uma cidade comercial e rica. O porto no rio Reno foi um dos principais centros de transporte de mercadorias em toda a Europa, tal como hoje em dia. E os historiadores locais sabiam que os membros das famílias ricas de Basileia eram enterrados ou no interior ou no exterior da Igreja Barfüsser. Alguns foram registados, mas outros não. E foram os arquivos que deram uma nova pista sobre a identidade da mulher: em 2017 descobriram-se novos registos e os investigadores perceberam que a múmia já tinha sido descoberta uma vez antes, em 1843.

A mulher poderia ser mãe de um membro de uma família bem estabelecida na Basileia, os Bischoffs. Usando as técnicas mais recentes, os cientistas extraíram ADN de um dos dedos da mulher e este foi comparado com o ADN dos descendentes vivos da família Bischoff.

Os resultados não podiam ter sido mais claros: há uma probabilidade de 99,8% dos descendentes e a múmia pertencerem todos à mesma linha materna. A múmia não era outra senão Anna Catharina Bischoff, nascida em Basileia em 1719 e tendo morrido na mesma cidade, no ano de 1787.

Uma vez descoberta a sua identidade, os genealogistas conseguiram - com a ajuda de registos de nascimentos, casamentos e mortes, que as classes mais ricas costumavam manter - rastrear mais descendentes de Anna Catharina.

Anna teve sete filhos. Apenas dois sobreviviam à infância, mas uma filha, também Anna, casou-se com Christian Hubert Baron Pfeffel von Kriegelstein. Cinco gerações de von Pfeffels mais tarde, e encontramos Marie Luise von Pfeffel a unir-se, pelo casamento, a Stanley Fred Williams.

A filha Yvonne casou-se com Osman Wilfred Johnson Kemal e o seu filho, Stanley Johnson, é o pai do ministro.

Boris Johnson ainda não comentou a descoberta, mas gostará talvez de saber que a sua bisavó terá contraído sífilis ao cuidar de doentes com doenças sexualmente transmissíveis e que terá vivido toda a vida em Estrasburgo, só voltando para a Basileia depois da morte do marido, um ministro da igreja.

Os cientistas acreditam que Anna Catharina provavelmente morreu por intoxicação de mercúrio, o mesmo que conservou o seu corpo durante séculos.

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