Mulheres dominam segundo debate de candidatos a secretário-geral da ONU

Guterres foi mais aplaudido do primeiro painel, mas as mulheres dominaram o segundo debate da noite

Helen Clark, da Nova Zelândia, Christiana Figueres, da Costa Rica, e Irina Bokova, da Bulgária, dominaram o segundo painel do debate entre candidatos a secretário-geral da ONU que aconteceu em Nova Iorque na noite de terça-feira.

Minutos antes, o português António Guterres tinha sido o candidato que mais aplausos recebera durante o primeiro painel do debate, que incluiu Vesna Pusic, da Croácia, Susana Malcorra, da Argentina, Vuk Jeremic, da Sérvia, e Natalia Gherman, da Moldávia.

Nesta iniciativa inédita da Organização das Nações Unidas (ONU), participaram 10 dos 12 candidatos a sucessor de Ban Ki-moon, divididos em dois grupos.

Respondendo a perguntas sobre liderança, violações de direitos humanos, conflitos internacionais e gestão da ONU, Clark, Bokova e Figueres dominaram sobre Danilo Turk, da Eslovénia, e Igor Luksic, de Montenegro.

A determinado momento do debate, o moderador perguntou se algum dos candidatos admitiria culpas do surto de cólera que atinge o Haiti, que se suspeita ter sido trazido por funcionários da ONU e já vitimou cerca de 10 mil pessoas.

Apenas um candidato, Figueres, levantou a mão.

"A imagem da ONU está manchada por isto. Foi causado sem intenção, mas tem de se assumir a responsabilidade. É uma obrigação moral", disse a candidata da Costa Rica, prometendo que durante o seu mandato eliminaria a cólera do país.

Helen Clark discordou, dizendo que uma das coisas que aprendeu enquanto primeira-ministra da Nova Zelândia foi "que não se devem comentar casos que ainda cumprem o seu curso nos tribunais."

Clark falou ainda de outro caso que tem manchado a credibilidade da ONU, a dos abusos sexuais cometidos por capacetes azuis, dizendo que "tem de ser garantido que todas as tropas são treinadas e estão bem conscientes das consequências dos seus atos."

Figueres, por sua vez, disse que "tem de existir uma política de tolerância zero" e que "imunidade não pode significar impunidade."

Bokova, por sua vez, disse que o seu percurso enquanto diretora da UNESCO (a agência das Nações Unidas para a educação e cultura) é prova de que está preparada para ser secretária-geral.

"Temos de trabalhar pela tolerância, pela paz e para ultrapassar divisões que existem. A ONU tem de fazer mais pela unidade desta comunidade que se une à volta de valores comuns", disse a candidata búlgara.

António Guterres, durante a sua participação, disse que apoiaria a reforma do Conselho de Segurança e que aplicaria paridade de género nas nomeações na organização.

O português defendeu ainda que o próximo secretário-geral da ONU tem de ser "sólido", um "símbolo de unidade" e que "precisa saber combater, e derrotar, o populismo político, o racismo e a xenofobia."

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