Mulheres acudiram governante após AVC em ringue de sumo. Juiz pediu-lhes para sair

A tradição do desporto diz que as mulheres não podem tocar ou pisar o ringue para não profanar a sua espiritualidade

De acordo com a antiga tradição do sumo, as mulheres não podem entrar no ringue onde decorrem as "batalhas", porque isso profana a espiritualidade do espaço. Esta regra foi aplicada ao extremo por um árbitro deste desporto quando várias mulheres correram para o ringue para ajudar uma pessoa que estava a ter um AVC (acidente vascular cerebral).

Em Quioto, no Japão, o mayor de Maizuru, Ryozo Tatami, de 66 anos, caiu no ringue de sumo enquanto discursava. Várias pessoas, incluindo mulheres, apressaram-se a ajudar, com o juiz a pedir aos microfones que elas abandonassem a arena, devido às regras que proíbem as mulheres de pisar, ou inclusivamente tocar, no ringue.

A ação do árbitro levantou uma onda de críticas no Japão, desde comentadores televisivos às redes sociais, explica o Guardian.

Nobuyoshi Hokutoumi, antigo campeão da modalidade e presidente da Associação de Sumo do Japão (JSA), pediu desculpa pelo incidente e agradeceu a ajuda feminina: "Numa situação de vida ou morte foi uma resposta inapropriada [por parte do juiz]. As nossas sinceras desculpas".

Ryozo Tatami, diz também o jornal britãnico citando fontes oficiais, está em condição estável numa unidade hospitalar.

O incidente acontece numa altura difícil para o sumo no Japão, explica a Reuters, devido a terem acontecido vários escândalos nos últimos meses. Um deles envolveu mesmo um dos atletas mais importantes, de seu nome Harumafuji, que se retirou em dezembro de 2017 depois de ter agredido um atleta mais jovem.

Em fevereiro, um atleta de sumo esteve envolvido também num caso de agressão e o egípcio Osunaarashi foi convidado a retirar-se depois de ter um acidente de viação enquanto conduzia sem carta de condução.

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