Muçulmanos franceses rezam com católicos pelo padre francês assassinado

Médicos, catedráticos, empresários, artistas, "muçulmanos de fé e de cultura", apelaram à "batalha cultural contra o islão radical"

Numerosos muçulmanos manifestaram hoje, cinco dias após o assassínio de um padre em França por dois combatentes islamitas, solidariedade e dor, assistindo a missas ao lado dos católicos ou em artigos nos jornais.

Mais de 100 muçulmanos assistiram hoje à missa na catedral de Rouen, no norte de França, onde dois extremistas islâmicos de 19 anos degolaram o padre Jacques Hamel, de 85 anos.

"Agradeço-vos em nome de todos os cristãos. Desta forma, estão a afirmar que rejeitam a morte e a violência em nome de Deus", afirmou o arcebispo de Rouen Dominique Lebrun.

A missa contou com a presença de cerca de dois mil fiéis.

O principal imã de Nice (sudeste de França) Otaman Aissaoui liderou uma delegação de uma dezena de fiéis, homens, mulheres e crianças, à missa naquela cidade, onde um extremista muçulmano conduziu um camião contra a multidão, que festejava o dia de França, matando 84 e ferindo 435 pessoas, incluindo muitos muçulmanos.

"Permanecer unido é a resposta a ato de horror e barbarismo", disse.

A igreja de Notre Dame, em Bordéus (sudoeste) também recebeu uma delegação muçulmana, liderada pelo principal imã da cidade Tareq Oubrou.

Todos responderam a um apelo inédito do Conselho francês Muçulmano (CFCM).

"Devemos responder à interpelação da sociedade francesa que nos pergunta 'quem sois vós? o que fazeis?', de acordo com um manifesto de cerca de quatro dezenas de muçulmanos, publicado no Jornal de Domingo. O artigo lembra que "atualmente os muçulmanos de França são 75% dos franceses" e devem assumir o seu lugar na sociedade.

Médicos, catedráticos, empresários, artistas, "muçulmanos de fé e de cultura", apelaram à "batalha cultural contra o islão radical", que seduz uma franja da juventude, enquanto "o risco de fratura entre os franceses é cada vez mais importante".

Os autores sublinharam a necessidade de reorganizar o islão da França que "não tem qualquer influência nos acontecimentos", uma preocupação manifestada também pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls.

No mesmo jornal, Valls considerou que se "o islão encontrou o seu lugar na República", é "urgente construir um verdadeiro pacto" com esta religião, a segunda em França.

É preciso "rever algumas regras para estancar os financiamentos externos" do culto muçulmano e "aumentar, em compensação, as possibilidades de conseguir fundos" em França.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG