Mortes, traições, ódios e outras histórias de vices

Divórcio de Dilma e Temer tem longos antecedentes no Brasil. Mas FHC e Lula viveram casamentos felizes com os números dois.

"A história do impeachment, eu nem falo nisso, porque é uma coisa a meu modo de ver absolutamente inviável e impensável, é uma quebra de institucionalidade que não é útil ao país." O autor desta frase não é Lula da Silva ou outro quadro do PT, como se possa pensar, mas sim Michel Temer, em março de 2015.

Um ano depois, o vice-presidente do Brasil puxou o tapete à presidente Dilma Rousseff, ao manobrar o desembarque do seu partido, o PMDB, do governo e apostar todas as fichas na destituição da chefe de Estado para assumir, o próprio, a cadeira mais importante do Palácio do Planalto.

Na história do Brasil, as traições entre presidentes e vices são comuns. Principalmente antes de 1964, quando foi instaurado o regime militar, e os dois passaram a ser eleitos juntos, à americana - nos Estados Unidos chama-se ticket ao processo, no Brasil chamam-lhe "chapa única".

Eleitos em separado

Até lá, presidentes e vice-presidentes eram eleitos separadamente, visto que o candidato a vice João Goulart teve mais votos do que o presidente eleito Juscelino Kubitschek, em 1955; Getúlio Vargas nunca confiou no "vice" Café Filho; Jânio Quadros não sentia qualquer afinidade com o mesmo Goulart; e Prudente de Moraes e Manuel Vitorino romperam abertamente ainda no século XIX, como recorda o artigo do jornal Folha de S. Paulo. Ao vice, nessa época, cabia ainda a chefia do Senado, o que lhes aumentava o poder, por um lado, e a possibilidade de conflito com o presidente, por outro.

Já na era da "chapa única", o vice-presidente Aureliano Chaves rompeu com João Figueiredo, o último presidente em ditadura (1979-1985), e alinhou-se à oposição. Logo a seguir, Tancredo Neves, avô de Aécio Neves, antes de se tornar o primeiro presidente pós-ditadura militar morreu, oferecendo a presidência como herança ao vice José Sarney. Depois, foi a vez do enfraquecido Fernando Collor de Mello ver Itamar Franco distanciar-se e precipitar a queda do primeiro, em 1989, por impeachment.

Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva tiveram em Marco Maciel e José Alencar fiéis escudeiros, até ao casamento entre Dilma Rousseff e Michel Temer, que terminou em divórcio, consumado na terça-feira.

São Paulo

Exclusivos