Morte em comício. Oposição denuncia ataques e aponta o dedo a Maduro

Luis Manuel Diaz é a primeira vítima mortal na campanha para parlamentares.

O comício da oposição em Altagracia de Orituco, no estado de Guárico, já estava quase a acabar quando se ouviram os tiros e Luis Manuel Diaz, dirigente local da Ação Democrática, caiu no chão. O sindicalista, pai de dois filhos, é a primeira vítima mortal na campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro na Venezuela, mas as agressões e ameaças são diárias, denunciou ontem Lilian Tintori. A mulher do líder da oposição Leopoldo López, condenado por incentivo à violência nos protestos de 2014, tinha acabado de sair do palco em Altagracia quando se deu o tiroteio.

Numa conferência de imprensa, Tintori não hesitou ontem em apontar o dedo ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, dizendo que os ataques de que tem sido alvo "representam o Estado terrorista" que este lidera. Nas eleições renova-se a Assembleia Nacional e, segundo várias sondagens citadas pela oposição, o Partido Socialista Unido da Venezuela e aliados sairão derrotados por uma diferença entre 20 e 30 pontos.

"Temos de ganhar as eleições como for preciso, que triunfe a paz como for preciso, temos de assegurar que ganhamos as eleições", defendeu Maduro em várias ocasiões desde o início de outubro. A oposição considera que está a fazer apelos à violência. "A violência é a arma dos que não têm razão, todos os venezuelanos devem repudiá--la, este país quer e precisa de paz!", escreveu o governador de Miranda, Henrique Capriles, ex-adversário de Hugo Chávez e de Nicolás Maduro nas presidenciais. Ontem, não houve qualquer reação por parte do governo ao tiroteio.

Horas antes dos disparos fatais no final da tarde de quarta-feira, já Lilian Tintori tinha denunciado agressões à sua equipa no Twitter. "Agridem-nos com pedras em Guárico. Chamámos as autoridades para velar pela nossa integridade", dizia a mensagem. Na conferência de imprensa, acusou ainda os apoiantes de Maduro de sabotarem um dos aviões usados pela sua equipa, que à terceira aterragem no mesmo dia ficou sem travões e acabou por se incendiar, sem causar feridos. "Querem-me matar", denunciou.

"O Estado venezuelano é responsável, por ação ou omissão, de qualquer ato de violência na Venezuela", indicou a Mesa de Unidade Democrática (MUD), que agrega todos os partidos da oposição, entre eles a Ação Democrática. "A prédica violenta desde os mais altos níveis do Estado é responsável pelo semear do ódio", acrescentou.

Reações internacionais

A missão de observadores da União das Nações Sul-Americanas (UNASUR) rejeitou em comunicado "todas as formas de violência que podem afetar o processo eleitoral" de 6 de dezembro. "Nesse sentido, faz um apelo às autoridades nacionais competentes para que se realize uma investigação exaustiva a este ato condenável, com o objetivo de evitar a impunidade frente a este acontecimento, e convida veementemente todos os setores políticos para contribuir para a manutenção de um clima de paz e harmonia na campanha", dizia o comunicado.

"A morte violenta de qualquer pessoa é um ato execrável que a nossa consciência não pode admitir. O assassinato de um militante político, além disso, deixa-nos a todos mais vulneráveis, salienta que somos todos vítimas reais, não apenas potenciais", indicou o secretário-geral da Organização de Estados Americanos, Luis Almagro. "Não pode haver mais um morto, não pode haver mais uma ameaça. É hora de acabar com o medo. Cada morto na Venezuela dói em toda a América", concluiu o ex-chefe da diplomacia uruguaio, lembrando que "o assassinato de um dirigente político é uma ferida de morte na democracia".

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