Morreu Rubalcaba, histórico dos socialistas espanhóis

Antigo líder do PSOE morreu ao início da tarde desta sexta-feira. Alfredo Pérez Rubalcaba, de 67 anos, não resistiu a um AVC. Como ministro do Interior, destacou-se no combate à ETA

Na quarta-feira, Alfredo Pérez Rubalcaba ainda deu aulas na Universidade Complutense de Madrid, onde se refugiou depois de abandonar a primeira linha da política espanhola. Nesse mesmo dia, ao final da tarde, dava entrada no hospital - pouco mais de 24 horas depois, esta tarde, foi comunicada a sua morte.

O antigo secretário-geral do PSOE, morreu esta sexta-feira no hospital de Majadahonda, nos arredores de Madrid. O histórico socialista, de 67 anos, não resistiu a um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que participava no conselho europeu informal de Sibiu, na Roménia, antecipou quinta-feira o regresso a Espanha e cancelou a deslocação a Barcelona para estar junto da família do homem que o antecedeu na liderança dos socialistas.

Alfredo Pérez Rubalcaba foi deputado em seis legislaturas e desempenhou funções governativas como ministro da Educação e Ciência (1992-1993) e da Presidência (1993-1996) quando Felipe Gonzalez presidiu ao executivo. Com José Luis Zapatero foi porta-voz do grupo parlamentar socialista (2004-2006), vice-primeiro-ministro e ministro do Interior (2006-2011). Destacou-se no combate à ETA.

Responsável pela segurança nacional, encetou em 2006 processo com vista ao cessar-fogo do grupo terrorista basco, mas não foi além do penúltimo dia de dezembro desse mesmo ano, com o ataque ao terminal 4 do Aeroporto de Barajas, em Madrid.

Com o rompimento das conversações, iniciou uma perseguição aos terroristas, que culminou com a prisão de vários dirigentes e ativistas.

Foi, contudo, pelo seu punho que foi "suavizada" a pena do etarra José Ignacio de Jauna Chaos, que levou a cabo uma greve de fome de 114 dias contra os serviços prisionais. Por razões humanitárias, Rubalcaba permite então que cumpra a pena de três anos em casa. Esta decisão valeu-lhe duras críticas do Partido Popular, que o acusou de ceder à ETA.

Como líder do PSOE e candidato a primeiro-ministro teve, em 2011, o pior resultado alcançado até então pelos socialistas - elegeu apenas 110 deputados - e perdeu para Mariano Rajoy (PP).

Afastou-se da política na sequência da grande derrota socialista nas eleições europeias de 2014, que culminou com o seu abandono da liderança do PSOE. Desde então dava aulas de Química Orgânica na Universidade Complutense de Madrid, algo que o deixava "feliz e tranquilo", como disse em tempos ao El Mundo.

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