Morreu a infanta Pilar de Borbón, irmã do rei Juan Carlos

Irmã mais velha do rei emérito de Espanha e tia de Felipe VI, Pilar de Borbón tinha 83 anos.

A infanta, irmã do rei emérito de Espanha, Juan Carlos, e tia de Felipe VI, morreu esta quarta-feira, aos 83 anos, na Clínica Ruber Internacional, em Madrid, confirmaram fontes próximas de Pilar Borbón à imprensa espanhola.

Pilar de Borbón estava internada desde domingo e sofria de cancro do colón. A doença tinha sido diagnosticada em 2019, obrigando a uma intervenção cirúrgica em fevereiro. Nas aparições públicas após a confirmação da doença, e por causa dos tratamentos de quimioterapia, era vista em cadeira de rodas.

Nascida a 30 de julho de 1936, em Cannes, onde os pais estavam exilados, Pilar de Borbón só conheceu Espanha aos 21 anos, por ocasião do funeral da avó materna, Luisa de Orleans.

Depois de França, ainda passou por Itália antes de se instalar, finalmente, no Estoril, onde, ao lado dos pais e dos três irmãos, viveu a juventude. Foi em Portugal que fez o ensino liceal, estudou enfermagem, foi voluntária em hospitais e viveu a tragédia da perda do irmão Alfonso (após um disparo de uma arma pelo irmão mais novo, Juan Carlos). Quando um acidente de comboio matou cerca de 50 pessoas e fez muitos feridos, no Cais do Sodré, Pilar de Borbón socorreu as vítimas no local.

Foi ainda em Portugal, no Mosteiro dos Jerónimos, que se casou com Luís Gómez Acebo, com quem teve cinco filhos - Simoneta (1968), Juan (1969), Bruno (1971), Beltrán (1973) y Fernando (1974). Mudou-se para Madrid em 1967 e ficou viúva em 1991.

Ao longo do reinado de Juan Carlos, Pilar e a irmã, Margarida, mantiveram sempre presenças discretas no que à Casa Real diz respeito, sem agenda oficial, mas com cargos relevantes. A duquesa de Badajoz - título que lhe foi concedido pelo pai, rei D. Juan - foi presidente da Federação Equestre Internacional e membro do comité olímpico espanhol. Foi também fundadora e presidente da associação Nuevo Futuro, dedicada às crianças em risco de exclusão (e que tem réplica em Portugal).

Nos últimos momentos, teve ao lado os filhos, netos, a irmã, Margarida, e os reis eméritos, Juan Carlos e Sofia.

Felipe VI e Letizia deverão comparecer esta tarde ao velório de Pilar de Borbón, instalado na casa onde vivia, diz o jornal El Pais.

Pilar de Borbón dizia que não gostava de ler sobre membros da família real - "é como pornografia" - viveu sempre num segundo plano e quase sempre de forma discreta. A exceção é talvez o momento em que, falando sobre Letizia, disse que a então princesa de Astúrias, era "muito mais esperta do que Lady Di", afastando assim as comparações entre a mulher de Felipe e a falecida princesa de Gales.

Outra ocasião em que quebrou o silêncio sobre a sua família foi o caso Nóos. "Acredito na justiça", afirmou dias antes de ser conhecida a condenação, e sentença de de cinco anos e dez meses de prisão, para Iñaki Urdangarín, marido da infanta Cristina, sua sobrinha. Enquanto decorria o julgamento, em Palma de Maiorca, Pilar de Borbón emprestou a sua casa à família, manifestando assim o seu apoio.

Filha mais velha do rei D. Juan, não fora a lei sálica e teria sido ela a subir ao trono. Um dia, quando lhe perguntaram como seria diferente se a coroa espanhola estivesse nas mãos de uma mulher, afirmou: "Não seria tão boa como o rei, um senhor estupendo que o faz de maneira fenomenal como demonstrou nos 38 anos de reinado". Nunca se saberá.

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