Ministro goês congratula-se com escolha de Costa. Mas diz que Portugal devia pedir desculpa

Origem goesa do primeiro-ministro português foi recordada em debate no país. Mas governantes goeses não esquecem administração portuguesa "impiedosa"

A Assembleia Legislativa de Goa aprovou um voto de congratulação pela escolha de António Costa para primeiro-ministro português, num debate em que um ministro disse que Portugal devia desculpar-se pela forma "impiedosa" como administrou o território.

As declarações do ministro Ramakrishna Dhavalikar foram feitas durante o debate do voto de congratulação pela tomada de posse de António Costa, de origem goesa, como primeiro-ministro de Portugal, noticia a imprensa local.

"Portugal devia pedir desculpa a Goa pela forma impiedosa como administrou o estado durante 450 anos", disse Dhavalikar.

"Não me sinto mal por o congratular [a António Costa] por ter sido eleito primeiro-ministro, sobretudo, porque é um filho da terra. Mas ao mesmo tempo, tenho de lembrar que a administração portuguesa tentou deixar-nos para trás", acrescentou.

Dhavalikar considerou que "se Goa nunca tivesse sido libertada", os goeses nunca teriam tido a possibilidade de estar sentados num parlamento próprio e debater os seus assuntos.

"Não devemos esquecer que durante a administração portuguesa tínhamos de viajar para outros países para termos educação", afirmou o ministro.

Durante o mesmo debate, o ministro-chefe Laxmikant Parsekar afirmou que os goeses ainda têm ferimentos provocados pela longa administração portuguesa, mas isso não deve impedir um voto de congratulação por um "filho da terra" ter alcançado um cargo tão alto em Portugal.

Segundo Parsekar, o Governo de Goa vai convidar formalmente António Costa a visitar o território.

"É um momento de orgulho para os goeses. Não devemos hesitar em o congratular. O meu vice-ministro-chefe disse que devia ser convidado [a visitar Goa]. O líder da oposição também disse a mesma coisa. Penso que isso devia acontecer. Vamos com certeza fazê-lo", afirmou.

Um outro participante no debate, o independente Vijai Sardessai, considerou que o destino se encarregou da "vingança".

"O destino vingou-se. O administrado passou a administrador. Por isso, é um grande dia para Goa", disse Sardessai.

Goa deixou de ser administrada pelos portugueses em dezembro de 1961.

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