Ministério Público pede prisão preventiva de Lula

Acusação de lavagem de dinheiro à margem do caso da Lava-Jato. PT fala em perseguição. É o quarto processo contra o ex-presidente

O Ministério Público de São Paulo (MP) pediu a prisão preventiva de Lula da Silva por crimes de lavagem de dinheiro e de falsidade ideológica ao, supostamente, ter ocultado a propriedade de um tríplex no Guarujá, cidade balnear a cem quilómetros de São Paulo. Alega o MP que houve intenção de esconder o verdadeiro detentor do imóvel, registado em nome da OAS, construtora envolvida no escândalo do petrolão, que efetuou obras no apartamento no valor equivalente a 200 mil euros. E que a prisão preventiva se justifica de modo a que o ex-presidente não movimente "a sua violenta rede popular de apoio".

O caso é independente da operação Lava-Jato e é o quarto processo paralelo em que o ex-presidente brasileiro é envolvido.

Marisa Letícia e Fábio da Silva, respetivamente mulher e filho de Lula, estão entre os 16 investigados. Também foram pedidas as prisões preventivas de Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) e de Léo Pinheiro, ex-executivo da OAS.

Os acusados ainda aguardavam decisão de uma juíza sobre o processo.

O Instituto Lula questionou em nota a imparcialidade de Cássio Conserino, autor da denúncia apresentada na noite de quinta--feira, por este ter "adiantado a decisão à edição de 22 de janeiro da revista Veja muito antes de encerrar a investigação". O Instituto Lula reforçou que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal para que as investigações deste caso deixem de estar a cargo de Conserino.

Quadros do PT chamaram os procuradores de "irresponsáveis" e acusaram-nos de se moverem por "razões ideológicas".

PMDB infiel

Outra preocupação de Lula da Silva, que ainda não pôs de parte aceitar o cargo de ministro no governo de Dilma Rousseff para beneficiar do estatuto de foro privilegiado e se proteger da Lava-Jato, é o impeachment.

O político saiu tenso da reunião ao pequeno-almoço de quarta-feira com senadores do Partido do Movimento da Democracia Brasileira (PMDB) até agora fiéis a Dilma. Tanto que, ao jantar, esses mesmos senadores se encontraram com a cúpula do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), a principal força da oposição. E à saída afirmaram que vão "caminhar juntos".

"Não podemos ficar paralisados a ver o país derreter", disse Eunício de Oliveira, do PMDB, partido que está no poder desde a redemocratização do Brasil, ora coligado com o PT ora com o PSDB.

Não podemos ficar paralisados a ver o país derreter

Para evitar que o país derreta nas mãos do PT, Lula, que desde que foi forçado a depor por Sergio Moro na passada sexta-feira foi definitivamente para o terreno, reuniu-se ontem à tarde com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, preocupado com os indicadores económicos, e com barões do PT, chamados de emergência ao Instituto Lula.

A tensão política tem reflexos na rua: numa entrega de prémios por ocasião do Dia Internacional da Mulher em Maringá, cidade onde vive, a professora reformada Odete Moro, mãe do juiz da Lava-Jato, foi vaiada sob cânticos "Lula, guerreiro do povo brasileiro". Movimentos pró-PT, entretanto, aceitaram desmarcar uma manifestação agendada para domingo no centro de São Paulo, dia em que se realiza marcha de protesto a favor do impeachment de Dilma na Avenida Paulista.

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