Milhares exigem que "Selva de Calais" seja desmantelada

A manifestação bloqueou as estradas para o Porto de Calais para exigir que o governo francês tome medidas urgentes

Vários camiões, tratores e pessoas bloquearam esta segunda-feira as estradas que vão dar ao Porto de Calais, em França, num protesto que exige que o campo de refugiados de Calais seja encerrado. O campo mais conhecido como a "Selva" de Calais acolhe agora pelo menos 7 mil pessoas que, segundo os manifestantes, perturbam o normal funcionamento da zona.

Entre os manifestantes está a presidente da câmara municipal de Calais, Natacha Bouchart. A autarca afirma que se juntou ao que é até ao momento a maior manifestação contra a "Selva" de Calais pois a presença destes milhares de migrantes tem causado vários problemas na cidade e se tornou "insuportável", segundo a BBC.

O tráfico foi impedido de circular e os manifestantes formaram uma corrente humana, para chamar a atenção das autoridades francesas. Comerciantes, polícias, agricultores e associações pedem que o governo tome medidas urgentes.

A "Selva" de Calais acolhe principalmente afegãos, somalis, sudaneses e curdos que tentam chegar ilegalmente ao Reino Unido, atravessando o Canal da Mancha. Os camionistas e empresas transportadoras queixam-se das ações dos migrantes, que tentam entrar nos camiões que atravessam o túnel do canal.

"Nós perguntamo-nos todas as manhãs se o nosso dia de trabalho vai ser desperdiçado, se um migrante vai arrancar a lona do nosso camião", contou Nicolas Lotin, o diretor de uma empresa de camiões à AFP.

Um dos membros de uma associação de agricultores queixou-se que os migrantes deitam lixo no chão na zona, pisam nas culturas e partem as cercas.

Antoine Ravisse, da associação de comerciantes da zona, pede que o governo assegure que a cidade e as ruas de Calais vão voltar a ser seguras. "É inaceitável que não possamos viajar hoje em França sem termos medo ou a certeza de que não vamos ser atacados", afirmou. segundo a BBC.

As autoridades francesas tentaram várias vezes encerrar o campo. Na quinta-feira passada, o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, anunciou que o campo de refugiados será gradualmente desmantelado.

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