Mike Pence nega candidatura em 2020 e garante só pensar na reeleição de Trump

Vice-presidente considerou "risível" notícia do New York Times sobre já estar em campanha para as próximas presidenciais. Mas outros republicanos poderão avançar

Desde Lyndon Johnson que nenhum presidente americano abdicou de disputar umas segundas eleições para ficar na Casa Branca. O homem que sucedeu a John F. Kennedy após o assassínio deste em 1963 venceu as presidenciais do ano seguinte mas em 1968 decidiu não voltar a tentar a sua sorte nas urnas mesmo tendo direito por lei (assumiu o cargo quando o mandato já ia a meio), muito devido à impopularidade que o rumo da guerra do Vietname lhe trouxera. E se no século XIX foram vários os inquilinos da Casa Branca a sair ao fim de quatro ano - de John Tyler a Chester Arthur, passando por James Buchanan - tendo em conta a história recente, seria de surpreender se Donald Trump não procurasse a reeleição em 2020. Mas mesmo nesse caso, o seu vice, Mike Pence, garante que não está interessado no cargo.

Tudo começou quando o New York Times publicou um artigo sobre a "campanha fantasma" que alguns republicanos andarão a preparar para as próximas presidenciais, mesmo se Trump nunca deu indicação de que não irá procurar um segundo mandato. No mesmo artigo, o jornal escreve que "a agenda de Mike Pence está tão cheia de eventos que os republicanos brincam que ele mais parece um vice-presidente num segundo mandato a tentar abrir caminho [para uma candidatura] do que um número dois investido há pouco mais de seis meses".

Que alguns republicanos estarão dispostos a desafiar Trump na corrida à nomeação do partido é algo que já se tem escrito nos media americanos. É o caso do governador do Ohio, John Kasich, que já tentara a sorte em 2016, ou dos senadores Tom Cotton e Ben Sasse, que ambos estiveram no Iowa a sentir o pulso ao eleitorado do estado tradicionalmente que lança o processo das primárias. Mas ao ver-se incluído no mesmo grupo de rebeldes, Pence não escondeu a indignação, denunciando a publicação de uma história "ofensiva para a mim, para a minha família e para toda a nossa equipa". Para o vice-presidente, é "risível e absurdo" pensar que ele estivesse a pensar fazer algo em 2020 além de trabalhar para reeleição de Trump, para a qual este diz já ter recolhido 17 milhões de dólares.

Discreto desde que aceitou o cargo, Pence sempre defendeu o presidente, garantindo que este sabe o que está a fazer, quer se trate das suspeitas de ingerência russa, da Coreia do Norte, da reforma da saúde ou da nova lei da imigração.

Aos 58 anos, Pence representou o Indiana na Câmara dos Representantes de 2001 a 2013, quando se tornou governador daquele estado. Filho de um veterano da guerra da Coreia que geria um rede de gasolineiras, formou-se em Direito e exerceu advocacia antes de entrar na política. O homem que na juventude foi democrata surgia em maio, numa sondagem realizada pela FOX News, como mais popular do que Trump - 42% de aprovação, contra 40% para o presidente.

A verdade é que se George H. W. Bush foi o último vice-presidente a chegar à Casa Branca, quando em 1989 sucedeu a Ronald Reagan - Al Gore falhou em 2000, Dick Cheney e Joe Biden nem se candidataram, em 2008 e 2016), historicamente este é um dos caminhos mais diretos para chegar à presidência. Desde 1789, houve 14 vice-presidentes que chegaram à Casa Branca. A começar por John Adams, vice de George Washington e seu sucessor quando o primeiro presidente dos EUA recusou fazer mais que dois mandatos. Mesmo que sonhe seguir-lhes as pisadas, Pence parece disposto a esperar até 2024.

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