Marcha contra Marraquexe - tensão esperada domingo em Bruxelas

A "Marcha contra Marraquexe", organizada por movimentos de extrema-direita e interditada pelo burgomestre de Bruxelas, sai no domingo à rua na capital belga, enfrentado a polícia e a 'resistência' de quem apoia o Pacto Global para a Migração.

Um novo fim de semana de tensão é esperado no 'coração' da Europa, com a "Marcha contra Marraquexe" a deixar em alerta máximo as autoridades de Bruxelas, que não deram 'luz verde' ao evento, que já conta com 12.100 'inscrições' e mais de 35.000 interessados na sua página na rede social Facebook.

Em comunicado, o burgomestre (autarca) Philippe Close declarou estar "fora de questão" autorizar uma marcha xenófoba em Bruxelas, esclarecendo ter decidido "proibir todas as concentrações e todas as manifestações no território bruxelense este domingo", uma opção quase inédita das autoridades da cidade, que permitem cerca de 900 manifestações por ano.

Philippe Close exortou também a uma boa coordenação com outras grandes cidades, como Antuérpia, Charleroi ou Liège, todas flamengas, de modo a antecipar a presença de agitadores na capital.

A decisão do burgomestre não refreou os apelos daqueles que se opõem ao Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular (GCM, na sigla em inglês), documento promovido e negociado sob os auspícios das Nações Unidas (ONU) e adotado formalmente na segunda-feira, em Marraquexe, com as associações de direita e extrema-direita flamengas KVHV, NSV, Schild en Vrienden, Voorpost e Vlaams Belang Jongere a manterem-se firmes no propósito de realizar a manifestação no domingo.

A "Marcha contra Marraquexe", em referência à cidade marroquina onde o acordo foi adotado, foi lançada em plena crise do Governo belga. No sábado, ministros nacionalistas flamengos da coligação governamental demitiram-se devido a divergências sobre o Pacto Global para a Migração.

O governo belga já se tinha confrontado com tomadas de posições da Nova Aliança Flamenga (N-VA, nacionalistas) sobre a migração, consideradas radicais, mas no sábado à noite o presidente do partido, Bart De Wever, lançou um ultimato a Charles Michel, indicando que a formação sairia do governo se este se deslocasse a Marraquexe para aprovar em nome da Bélgica o acordo, algo que aconteceu.

Paralelamente à manifestação contra o pacto decorrerá uma "Marcha a Favor de Marraquexe", que tem como propósito "enviar uma mensagem clara a favor dos direitos do Homem e contra os grupos neofascistas, ultrapassando-os em número nas ruas de Bruxelas."

"O nosso objetivo é desfilar em paz e em respeito pela lei", precisa a descrição do evento no Facebook.

O pacto, fruto de 18 meses de consultas e negociações entre os Estados-membros da ONU, tem como base um conjunto de princípios, como por exemplo a defesa dos direitos humanos, dos diretos das crianças migrantes ou o reconhecimento da soberania nacional.

O texto também enumera 23 objetivos e medidas concretas para ajudar os países a lidarem com as migrações, nomeadamente ao nível das fronteiras, da informação e da integração, e para promover "uma migração segura, regular e ordenada".

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