Merkel encurrala SPD: "Vamos lá celebrar o trabalho da coligação"

Alemanha Chanceler insistiu na ideia de que negociações de adesão da Turquia à UE devem terminar, dada a atitude do presidente Recep Tayyip Erdogan

O SPD tenta descolar da CDU, com que governou coligado nos últimos quatro anos. Mas Angela Merkel não deixa. Dois dias depois de vencer o debate contra o seu principal rival nas eleições legislativas de dia 24, Martin Schulz, líder do SPD, a chanceler voltou a comprometer os sociais-democratas e a dificultar--lhes a tarefa de terem personalidade própria nesta campanha.

No último debate no Bundestag antes da votação, a líder conservadora viu ontem o seu discurso ser sucessivamente interrompido por deputados do SPD, relatou a Deutsche Welle. "Não compreendo o que estão a fazer. Deviam estar contentes pelo que conseguimos juntos. Vamos lá celebrar o trabalho da coligação, que foi, em muitos aspetos, bastante bem-sucedido", declarou Angela Merkel.

Thomas Oppermann, líder dos sociais-democratas na câmara baixa do Parlamento alemão, fez questão de sublinhar que os créditos de algumas medidas são exclusivos do seu partido, dando como exemplo a introdução do salário mínimo na Alemanha e as quotas de mulheres nas administrações de grandes empresas. "Este país precisa de uma chanceler que aja num sentido social-democrata e não vejo esse tipo de coragem em si", declarou, tentando distanciar o seu partido do estilo de governação de Merkel.

O SPD não suscitou, porém, questões de política externa. Talvez porque, na grande coligação, o Ministério dos Negócios Estrangeiros tenha estado nas mãos dos sociais-democratas. A tarefa coube à restante oposição. O colíder dos Verdes, Cem Özdemir, pediu ao governo de Merkel que "deixe de alinhar" com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. O responsável ecologista, que tem atacado também o executivo por causa do escândalo das emissões poluentes da Volkswagen (o chamado Dieselgate), nasceu na Alemanha mas é de origem turca.

No domingo à noite, na ARD, tanto a chanceler que procura um quarto mandato nestas legislativas como o ex-presidente do Parlamento Europeu defenderam o fim das negociações de adesão da Turquia à União Europeia. Algo que suscitou, de imediato, a ira do governo de Ancara. Há três milhões de pessoas de origem turca na Alemanha e, dessas, 1,2 milhões podem votar no dia 24. "A Turquia continua a afastar-se a passos largos do caminho do Estado de direito", reafirmou ontem Merkel, no seu discurso no Bundestag.

Além do debate Merkel-Schulz, realizou-se na segunda-feira à noite o debate entre os candidatos dos partidos mais pequenos, que disputam o terceiro lugar (dando as sondagens o primeiro lugar à CDU e o segundo ao SPD). A "batalha dos cinco", como chamaram os media alemães ao confronto entre os candidatos do FDP, Die Linke, AfD, CSU e Verdes, foi descrita como algo caótica. Além da dicotomia esquerda-direita, o tema da imigração e dos refugiados foi incontornável. Nestas eleições a grande questão é saber qual será o terceiro partido e qual o tipo de coligação que se vai formar.

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