Merkel critica populistas, mas assume linha dura com imigração

A chanceler alemã, Angela Merkel, criticou hoje os populistas que exploram os receios associados ao acolhimento de milhares de refugiados, mas assumiu uma linha dura em matéria de imigração, defendendo inclusivamente a proibição o véu islâmico.

Merkel, que discursava no congresso da União Democrata-Cristã (CDU, centro-direita)) em que é recandidata à liderança, apresentou as linhas gerais da sua estratégia para contrariar o populismo e prometeu que não se vão repetir os números recorde de entrada de refugiados na Alemanha de 2015.

"Uma situação como a do verão de 2015 não deve e não pode repetir-se", disse, acrescentando que cada pedido de asilo será aprofundadamente analisado e que "nem todos podem ficar".

A chanceler afirmou que "é legítimo" esperar uma correta integração de migrantes e refugiados na sociedade alemã, o que inclui a proibição do uso do véu islâmico que cubra o rosto ('burqa' ou 'niqab').

"O véu integral deve ser proibido onde quer que seja legalmente possível", disse, sublinhando que "não serão toleradas sociedades paralelas".

Merkel considerou que as eleições de 2017 na Alemanha "não vão ser um passeio", porque o país está dividido, mas pediu aos alemães que "desconfiem das respostas fáceis".

"Raramente são as respostas fáceis que trazem progresso ao país", disse, numa alusão ao novo partido populista e xenófobo Alternativa para a Alemanha (AfD), que já criticou por não apresentar soluções para os problemas.

Angela Merkel, que dirige o governo alemão há 11 anos, confirmou em novembro que se candidata a um quarto mandato, mas admitiu que essa eleição vai ser "mais difícil" que qualquer outra em que participou.

O congresso da CDU vota hoje a candidatura de Merkel, não havendo dúvidas de que vencerá, apenas se mantém o nível de apoio do último congresso, em 2014, quando obteve 96,7% dos votos.

A CDU de Merkel e o seu tradicional aliado, o partido democrata-cristão da Bavária (CSU), venceram as últimas eleições legislativas, em 2013, com 41,5%, a melhor votação desde a reunificação alemã (1990), atribuída à firmeza com que insistiu na imposição da austeridade aos países endividados da União Europeia.

Mas três anos depois o apoio a Merkel caiu, sobretudo devido à decisão de setembro de 2015 de abrir portas aos refugiados.

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