Merkel ausente da votação sobre genocídio arménio

Presidente turco avisou que aprovação de projeto de lei no Bundestag vai danificar as relações entre Ancara e Berlim

Quando hoje os deputados alemães votarem a proposta de lei que pretende reconhecer o genocídio arménio no Bundestag, Angela Merkel não deverá estar presente. "Neste momento, este voto está marcado para de manhã ou para a hora do almoço e como as coisas estão atualmente a chanceler não participará na votação do Parlamento alemão porque ela já tem compromissos públicos", disse ontem Christiane Wirtz, a porta-voz da chefe do governo alemão, citada pela agência Reuters.

Apesar da justificação dada, uma ausência da chanceler da votação poderá ser mal interpretada, numa altura em que Angela Merkel é, por um lado, ameaçada pelos governantes turcos de retaliação caso a lei seja aprovada e, por outro, é criticada internamente por ser demasiado branda com o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan. Tudo para tentar salvar o acordo sobre a gestão do fluxo de refugiados entre a UE e a Turquia.

"Se a Alemanha se deixar enganar por isso [esta votação] as relações bilaterais a nível diplomático, económico, comercial, policial e militar serão afetadas. Somos ambos países da NATO", declarou na terça-feira o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan, que se encontra de visita a África. Também o novo primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, considerou ontem a votação "ridícula", sublinhando que esta irá prejudicar as relações entre os dois países.

Já o presidente da Arménia tem outra posição. Em entrevista ao jornal alemão Bild, Serzh Sargsyan apela a não se deixarem intimidar pelas ameaças de Ancara: "Estou certo de que os políticos no Bundestag não se vão deixar intimidar". A Turquia reconhece que ocorreu um massacre de cristãos arménios durante a I Guerra Mundial, às mãos do Império Otomano, mas recusa classificar como genocídio a morte de 1,5 milhões de pessoas.

Este assunto é mais um espinho nas relações Turquia-Alemanha ( e também União Europeia). Em troca do acordo sobre os refugiados, Ancara queria a liberalização de vistos para os seus cidadãos. As discussões sobre o assunto foram ontem encetadas, disse o ministro dos Assuntos Europeus da Turquia, Omer Celik.

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