Menos Trump, mais dinheiro. Debate de democratas centrado em donativos milionários

No primeiro debate realizado após o "impeachment" de Donald Trump, o debate centrou-se sobretudo na quantidade de dinheiro usado por alguns ccandidatos para financiar a campanha às presidenciaius.

Os candidatos à nomeação pelo Partido Democrata para concorrer nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2020 entraram hoje em conflito sobre os donativos milionários que alguns recebem e sobre o papel do dinheiro na política.

No primeiro debate realizado após o "impeachment" do Presidente dos Estados Unidos, aprovado na quarta-feira, Donald Trump ocupou menos tempo do que seria previsível, já que os candidatos presentes são apoiantes do processo de destituição e o momento de maior tensão surgiu com acusações de candidatos se "venderem" ao grande capital.

"As pessoas que podem doar 5 mil dólares para tirar uma fotografia (com o candidato) não têm as mesmas prioridades do que as pessoas que estão aflitas com dívidas estudantis ou despesas médicas", defendeu a senadora de Massachusetts Elizabeth Warren no debate.

O "dardo" de Warren visava claramente atingir o 'mayor de South Bend (Indiana), Pete Buttigieg, a quem a senadora já tinha criticado anteriormente por aceitar donativos milionários.

"O 'mayor' presidiu, recentemente, a um evento de arrecadação de fundos em adegas cheias de cristais, onde foi servida uma garrafa de vinho de 900 dólares. Pense em quem vai a esses eventos", disse Warren.

Buttigieg, que nas últimas sondagens aparece como favorito no Estado chave de Iowa, tendo substituído Warren nas preferências, defendeu-se, alegando que, na luta para derrotar Trump não rejeitará ninguém, e passou à ofensiva sublinhando ser o único dos sete democratas na corrida que não é milionário.

Sanders é um dos críticos de quem aceita grandes contribuições

"O problema de estabelecer testes de pureza é que [Elisabeth Warren] não os consegue cumprir", disse Buttigieg, acusando a senadora de ter recebido no passado donativos como os que agora critica.

Embora o 'mayor' e a senadora tenham protagonizado os momentos de maior tensão do debate, os restantes candidatos acabaram por tomar partido entre as duas posições, com o autoproclamado socialista democrata Bernie Sanders a apoiar Warren nas críticas a quem aceita grandes contribuições.

A influência que o dinheiro tem na política dos EUA tornou-se, nos últimos anos, um dos principais cavalos de batalha da ala mais esquerdista do Partido Democrata, representada por Warren, Sanders e também pela representante de Nova Iorque, Alexandria Ocasio-Cortez.

A controvérsia sobre o assunto teve início em 2010, quando uma decisão do Supremo Tribunal - popularmente conhecida como "Citizens United" - determinou que os gastos das grandes empresas e sindicatos com comunicação política são protegidos pela liberdade de expressão, o que permite a estes grupos canalizar quantidades ilimitadas de dinheiro para promover candidatos ou posições políticas.

Dos 15 candidatos que ainda permanecem na corrida Democrata para escolher um candidato presidencial em 2020, apenas sete reuniram as condições (de percentagem de intenções de voto nas sondagens e de dinheiro angariado para campanha) para comparecer no debate televisivo em Los Angeles, Califórnia.

No entanto, um deles estará ausente, o bilionário Michael Bloomberg, antigo 'mayor' de Nova Iorque, porque se comprometeu a não usar donativos para financiar a sua campanha (parâmetro de escolha para os confrontos televisivos), preferindo usar apenas a sua imensa fortuna pessoal (avaliada em mais de 50 mil milhões de euros).

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