Médicos Sem Fronteiras rejeitam dinheiro da UE por causa de acordo com Turquia

Organização diz que acordo põe em risco "o próprio conceito de refugiado"

Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciaram que vão rejeitar todo o financiamento da União Europeia (UE) e dos países estados-membros em protesto contra o acordo com a Turquia para travar e entrada de refugiados e migrantes no espaço europeu.

"O acordo UE-Turquia é o último numa longa linha de políticas que vão contra os princípios fundamentais que permitem o apoio a pessoas em necessidade extrema", explicou o secretário-geral da organização, Jerome Oberreit, à Reuters. "Isto põe em risco o próprio conceito de refugiado".

No acordo, conseguido em março, a Turquia aceitou travar a passagem de refugiados pelo seu território - uma das rotas de entrada na Europa - em troca de apoios financeiros e de avanços nas negociações políticas de adesão à UE.

A MSF, que está presente em zonas de catástrofe em todo o mundo, diz que vai perder 56 milhões de euros de financiamento - 37 milhões dos países e 19 das instituições europeias. No curto prazo vai cobrir a falta de fundos com reservas de emergência, disse Oberreit.

"É importante ver as pessoas reais em vez do joguete político em que se transformaram", acrescenta o responsável, defendendo que o acordo não fez nada para resolver o problema, apenas permitiu à Europa fugir às suas obrigações. Aliás, segundo Oberreit, a UE está em negociações com outros 16 países, da Somália à Eritreia, para continuar esta política.

A organização teme ainda que o "exemplo europeu" tenha efeito noutros países. "Está claramente a passar a mensagem de que tomar conta das pessoas obrigadas a fugir das suas casas é opcional". O Quénia, por exemplo, referiu o acordo como uma das razões para os seus planos de fechar o maior campo de refugiados do mundo, o que implica enviar 330 mil pessoas para a Somália.

Com Reuters

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