May vai a Berlim e Paris negociar Brexit com Merkel e Macron

Primeira-ministra britânica vai tentar convencer os parceiros europeus a autorizarem o adiamento da saída do Reino Unido da União Europeia.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, vai esta terça-feira até Berlim, para uma reunião com a chanceler Angela Merkel, seguindo depois para Paris, onde tem previsto um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron. A líder dos conservadores precisa de convencer os líderes europeus a aceitarem uma nova extensão do artigo 50 do Tratado de Lisboa até 30 de junho.

"A chanceler e a primeira-ministra britânica vão ter uma troca de ideias sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, assim como sobre a cimeira especial do Conselho Europeu de quarta-feira", disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert. Na quarta-feira, em Bruxelas, os líderes europeus terão que debater e decidir sobre o novo adiamento do Brexit, previsto para a próxima sexta-feira.

Por seu lado, o Palácio do Eliseu também confirmou que Macron vai receber May esta terça-feira. A decisão sobre o adiar do Brexit terá que ser tomada por unanimidade entre os líderes europeus e Paris já tinha dado a conhecer que considera "um pouco prematuro" uma extensão do 'Brexit', como pediu Londres, e espera dos britânicos "um plano credível" até à cimeira europeia de 10 de abril.

Em Londres, ainda decorrem as negociações entre a equipa da primeira-ministra e a do líder da oposição, Jeremy Corbyn, para ver se é possível encontrar uma solução que possa ser aprovada no Parlamento britânico, que já em três ocasiões rejeitou o acordo que May negociou com Bruxelas.

Merkel, que na sexta-feira esteve na Irlanda, disse então esperar que as "negociações intensivas" entre May e Corbyn possam permitir à primeira-ministra apresentar já um plano na quarta-feira que os líderes europeus possam discutir. "Vamos manter-nos juntos como 27. Vamos fazer tudo, como já disse, até à última hora, para impedir uma saída desordenada", afirmou ao lado do primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, em Dublim.

Mas para ter mais tempo para essas negociações, a primeira-ministra britânica pediu mais tempo aos líderes europeus. A ideia é conseguir adiar o Brexit até 30 de junho, mas com a possibilidade de o Reino Unido sair mais cedo da União Europeia se conseguir entretanto aprovar um acordo. Com este adiamento, Londres terá que participar nas eleições europeias, que se realizam nos restantes 27 países de 23 a 26 de maio, uma perspetiva que May considerava até há pouco tempo "inaceitável", três anos após os britânicos terem votado no referendo para sair da União Europeia.

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.