Manafort pagou a políticos europeus por lóbi pró-russo

Ex-chanceler austríaco apontado como líder do "Grupo de Habsburgo"

Paul Manafort, ex-diretor de campanha de Donald Trump, terá pago dois milhões de euros a um grupo de políticos europeus entre 2012 e 2013 para fazer lóbi a favor do então presidente ucraniano Viktor Ianukovitch (pró-russo). A acusação é do procurador especial Robert Mueller, que investiga a alegada ingerência da Rússia nas presidenciais norte-americanas. O grupo era conhecido informalmente como "Grupo de Habsburgo" e liderado por um "antigo chanceler europeu", identificado só como "político estrangeiro A", que poderia ser o ex-chanceler austríaco Alfred Gusenbauer.

Apesar de este grupo alegadamente fazer "avaliações independentes", eram na realidade "lobistas pagos". Manafort e o seu aliado Rick Gates (que chegou a acordo com Mueller e declarou-se culpado de conspiração e de mentir aos investigadores) usaram quatro contas offshore para transferir mais de dois milhões de euros para o grupo de antigos políticos. Num memorando de junho de 2012, Manafort descreveu a tentativa de reunir um pequeno grupo de amigos europeus de alto nível, politicamente credíveis, que "possam agir informalmente sem qualquer relação visível com o governo da Ucrânia".

O Grupo de Habsburgo (família que governou o império austro-húngaro) era liderado pelo "antigo chanceler europeu". Esse é o cargo dado aos chefes de governo da Áustria e da Alemanha, sabendo-se através de outros documentos jurídicos que Gusenbauer (chanceler austríaco de 2007 a 2008) se encontrou em 2013 com congressistas norte-americanos. Ia acompanhado por dois lobistas da empresa Mercury, que Mueller diz ter sido criada por Manafort para servir de fachada a Ianukovitch (presidente de 2010 até ser deposto após os protestos de 2014).

À BBC, Gusenbauer negou ter liderado o grupo, mas admitiu ao jornal Die Presse dois encontros com Manafort. Disse, contudo, não ter sido pago "ou pelo menos não conscientemente". Só admitiu ter sempre defendido para a Ucrânia um futuro voltado para a Europa. Um lobista da Mercury também acompanhou o ex-primeiro-ministro italiano e antigo líder da Comissão Europeia Romano Prodi a reuniões no Congresso dos EUA. Prodi admitiu ter trabalhado com Gusenbauer para aproximar Ucrânia e União Europeia, mas explicou que o dinheiro que recebeu do ex-chanceler veio da relação privada que tinha com ele e não, ao que sabe, de Manafort.

O ex-diretor de campanha de Trump (de junho a agosto de 2016) alega inocência, mas o cerco à sua volta aperta-se com o acordo de Gates. Mueller continua contudo a não ter provas da suposta interferência russa nas presidenciais.

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