Mais três ex-acólitos no Vaticano acusam padres de abusos sexuais

Os três jovens alegam ter sido abusados no seminário juvenil quando tinham entre 10 e 14 anos. As revelações são feitas numa investigação de uma televisão italiana. Dois padres são apontados pelas vítimas.

Mais três ex-acólitos alegam ter sido abusados sexualmente por dois padres no Vaticano. As alegações de abusos no seminário juvenil do Vaticano, que serão reveladas este domingo num programa de televisão italiano, datam dos anos 1980 e 1990, quando os rapazes tinham entre 10 e 14 anos.

As acusações surgem dois meses depois de o Vaticano ter dito que iria indiciar o padre Gabriele Martinelli, por abusar de vários acólitos em 2012, quando era professor no seminário juvenil de São Pio X. Esta medida foi motivada pela primeira investigação do programa italiano "Le Iene", do canal Italia1, sobre a escola em 2017.

O Vaticano disse, em setembro, que também estava em curso uma acusação contra um ex-reitor do seminário juvenil, o padre Enrico Radice, acusado de ajudar e favorecer os alegados crimes.

A Igreja Católica enfrentou milhares de alegações de abuso sexual infantil em todo o mundo, mas a investigação de "Le Iene" em 2017 foi a primeira em que foram expostas alegações de pedofilia no interior dos muros do Vaticano.

"Decidimos continuar a investigar, pois tínhamos a sensação de que os casos anteriores não estavam isolados", disse ao The Guardian Gaetano Pecoraro, um dos dois autores da investigação jornalística. "Havia mais vítimas e mais padres envolvidos nos abusos sexuais dentro do Vaticano."

Na investigação mais recente, três ex-acólitos que serviram em missas papais alegam que foram abusados ​​sexualmente por dois padres, um deles professor.

No programa, uma das vítimas refere que um dos padres, que administrava os chuveiros comunitários da escola, tentou remover o seu roupão. "Ele queria despir-me", alega a vítima. "Tentei esquivar-me. Tinha 13 anos, caí no chão e perguntei 'o que você está a fazer?'. De seguida levantei-me e fugi."

A segunda vítima alega que foi abusada na Casa Santa Marta por um padre quando tinha 10 ou 11 anos de idade. "Pediu-me para subir as escadas até ao quarto dele. Fez-me sentar nas suas pernas, começou a acariciar a minha coxa e depois colocou a mão nas minhas partes íntimas", disse a vítima ao "Le Iene". O padre alegadamente persistiu com o abuso e só parou quando o rapaz resistiu.

As vítimas, agora com idades entre 37 e 40 anos, reuniram há alguns anos para partilhar entre elas as suas histórias. A terceira vítima fez alegações semelhantes, mas optou por não entrar em pormenores para o programa. Os três alegaram que um quarto ex-acólito sofreu um pior abuso sexual do que eles, mas este homeme quando foi contactado por "Le Iene" recusou a falar. As alegações foram corroboradas por várias pessoas que alegaram ter testemunhado alguns dos abusos.

O programa "Le Iene" conseguiu localizar um dos padres acusados. O homem, cujo rosto surge desfocado no programa, parece ficar assustado com a visita dos jornalistas. Depois de ouvir as acusações, respondeu: "Não, não é possível. Não me lembro. Não estou a dizer que mentem, digo que eles confundiram alguma coisa."

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