Maioria dos espanhóis quer eleições antecipadas já

54,8% dos espanhóis quer legislativas antecipadas se o governo de Pedro Sánchez não conseguir aprovar o Orçamento do Estado

A maioria dos espanhóis, 54,8%, quer a realização de eleições legislativas antecipadas em março caso o governo socialista de Pedro Sánchez não consiga aprovar o Orçamento do Estado. Como tem acontecido até agora. Por falta de maioria de deputados no Parlamento.

Segundo uma sondagem de fim de ano realizada pelo Sigma Dos para o jornal El Mundo, 19,1% considera que as legislativas deveriam acontecer em maio, juntamente com as europeias e as autárquicas, 7,0% preferia que a votação se realizasse em outubro e 10,2% em 2020. 8,9% dos inquiridos no âmbito do mesmo estudo de opinião não sabe ou não responde.

Entre os que preferem eleições legislativas antecipadas em março, 74,9% são eleitores do Ciudadanos, 73,4% do PP, 47,3% do PSOE, 37% do Unidos Podemos e 49,4% de outras formações partidárias. Assim esta é opção preferida de quase metade dos socialistas.

Sánchez chegou ao poder em junho, depois de vencer uma moção de censura contra o governo do PP de Mariano Rajoy, com o apoio de vários partidos mais pequenos. Entre eles estão os independentistas catalães. Estes têm exigido, em troca, que o primeiro-ministro e líder do PSOE permita a realização de um referendo vinculativo sobre a independência da Catalunha. Algo que este rejeita. A oposição, sobretudo PP e Ciudadanos, acusam Sánchez de estar nas mãos de extremistas e de precisar do apoio destes para aprovar o Orçamento do Estado.

O PSOE, que tem vindo a cair de eleição para eleição - e não só a nível nacional (veja-se o resultado das eleições autonómicas de dia 2 na Andaluzia) -, conta apenas com 84 deputados em 350. Assim, aprovar o que quer que seja, que não dê para decidir por decreto (como Sánchez já caiu na tentação de fazer), carece de apoio de deputados de outras formações. Resta saber, em troca de quê.

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