Mãe reunida com o filho: "Trump meteu-se com os anjinhos de Deus"

A BBC captou o momento em que uma migrante das Honduras reencontra o filho de 6 anos. Esteve mais de 50 dias sem sequer saber onde ele estava. "Não conseguia respirar", recorda a mulher.

O filho de Yessica é uma das 1820 crianças separadas dos pais que já conseguiu reunir-se com a família. Foi na passada sexta-feira (21 de julho), cinco dias antes do fim do prazo que o juiz Dana Sabraw, do tribunal federal de San Diego, deu ao governo dos EUA para reunir os mais de 2500 jovens, com idades entre 5 e 17 anos, que foram afastados das famílias devido à política de "tolerância zero" da administração Trump.

A BBC acompanhou o reencontro da mulher - de quem não avançou mais dados - com a criança de 6 anos. Yessica revelou, num discurso emocionado, que esteve "mais de 50 dias" sem ter notícias do filho.

"Não consigo dormir. Acordo e sinto o coração a bater muito rápido. Não consigo sequer respirar", desabafava em frente às câmaras, 23 dias antes do reencontro. Na altura, ligava insistentemente para o número que lhe deram mas ninguém lhe sabia dizer onde estava a criança, de 6 anos.

"Nunca pensei que seria assim, que nos iam tirar as crianças", conta, ao recordar a noite de maio em que saltou a fronteira e foi detida pelas autoridades norte-americanas.

"Disseram para deitarmos os nossos filhos no chão. Depois, durante a madrugada, foram buscar as crianças numa carrinha", recorda.

Quase dois meses depois, Yessica mudou-se para Houston e conseguiu a ajuda de uma assistente social. Próximo do prazo exigido ao governo para reunir pais e filhos migrantes, conseguiu preencher todos os formulários exigidos e abraçar de novo o menino.

No Aeroporto de Houston, onde aconteceu o reencontro, duas crianças caminham, cada uma delas de mão dada a um homem. O menino mais velho corre para os braços de um familiar. O filho de Yessica abraça-se à mãe. Passaram mais de 50 dias. Yessica é uma mãe torturada, mas não revoltada.

"Não estou zangada. Estou triste, porque o Presidente Trump não sabe o que fez. Ele meteu-se com os anjinhos de Deus. As crianças não têm culpa das decisões dos adultos", diz a hondurenha.

Há 400 crianças nos EUA cujos pais já foram deportados

Cerca de 700 crianças continuam separadas das famílias, incluindo mais de 400 cujos pais foram deportados, de acordo com as autoridades.

No final do mês passado, o juiz Dana Sabraw, do tribunal federal de San Diego, ordenou que o governo reunisse os milhares de crianças e pais que foram forçados a se separar na fronteira devido à política de "tolerância zero" da administração do presidente Donald Trump.

À data, o juiz estabeleceu o prazo de 10 de julho para crianças menores de 5 anos e deu ao governo até 26 de julho [quinta-feira] para reunir mais de 2500 jovens com idades entre 5 e 17 anos.

A administração Trump insistiu que cumpriria o prazo do tribunal, reunindo todas as famílias que considerava elegíveis para a reunificação

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