Maduro rejeita ajuda humanitária americana e diz que Trump é "supremacista branco"

A entrada de ajuda humanitária no país seria uma forma de os EUA justificarem uma intervenção militar, acusa o presidente venezuelano. "Eles são belicistas que querem tomar a Venezuela", apontou numa entrevista à BBC.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, garantiu em entrevista à BBC que não permitirá a entrada de ajuda humanitária no país porque seria uma forma de os EUA justificarem uma intervenção militar. "Eles são belicistas que querem tomar a Venezuela", apontou Maduro.

Numa rara entrevista, como descreve a BBC, o presidente contestado da Venezuela atacou o governo americano de Donald Trump como um "gangue de extremistas", dizendo esperar que "este grupo extremista na Casa Branca seja derrotado pela poderosa opinião pública mundial".

Maduro não tem dúvidas sobre aquilo que se passa neste momento na Venezuela, onde o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino, sendo reconhecido pelos Estados Unidos e por uma grande parte dos países da União Europeia, Portugal incluído.

"É uma guerra política do império dos Estados Unidos, dos interesses da extrema-direita que hoje governa [os EUA], do Ku Klux Klan que hoje governa a Casa Branca para tomar a Venezuela. Eles criaram uma estratégia política, comunicacional e diplomática. É uma guerra em curso para tomar a Venezuela", insistiu.

Questionado sobre se acredita mesmo que é o Ku Klux Klan, identificado pela sigla KKK - um grupo racista e supremacista - que manda na Casa Branca, Nicolás Maduro afirmou categoricamente que acredita que "o setor extremista dos brancos supremacistas do KKK está no comando dos Estados Unidos".

"Trump encorajou as tendências fascistas, os neofascistas, os neonazis, no interior dos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. É uma tendência extremista que odeia o mundo."

"Acredito que é um gangue de extremistas", atirou, classificando o presidente americano Donald Trump como "supremacista branco". "Ele é, aberta e publicamente", respondeu à jornalista da BBC, e justificou a sua resposta: "Ele encorajou as tendências fascistas, os neofascistas, os neonazis, no interior dos Estados Unidos, na Europa e na América Latina. É uma tendência extremista que odeia o mundo, que nos odeia, que não acredita em nós, só acredita nos seus próprios interesses e nos interesses dos EUA. Por isso, digo que este combate está para lá do nosso país."

É neste ponto que Maduro deixou um "apelo aos povos de todo o mundo": "Acordem, abram os vossos olhos, vejam esta agressão insidiosa contra a Venezuela. A Venezuela tem muitos problemas como muitos países do mundo e se querem realmente apoiar a Venezuela, têm de apoiar a paz e digam não à intervenção [externa]. E digam aos EUA para porem as mãos fora da Venezuela e apoiem a Venezuela nos seus próprios esforços para resolver os seus problemas através do diálogo."

Maduro culpou as sanções dos EUA pelos problemas económicos que vive o país afirmou que os EUA pretendem "criar uma crise humanitária para justificar uma intervenção militar". "Isto é parte dessa charada. É por isso que, com toda a dignidade, dizemos a eles que não queremos migalhas, alimentos tóxicos, restos de comida."

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