Maduro ameaça levantar imunidade aos deputados da oposição

Presidente venezuelano ameaça também tomar conta da Procuradoria-Geral da República

Nicolas Maduro ameaçou levantar a imunidade a todos os deputados da oposição, através da nova Assembleia Constituinte, para os levar à justiça.

Segundo a agência EFE, o presidente venezuelano propôs igualmente "tomar conta" da Procuradoria-Geral, já que a atual procuradora, Luísa Ortega, que era apoiante do regime, rompeu entretanto com o governo e tornou-se uma das grandes adversárias de Maduro.

"Alguns terminarão numa cela", ameaçou Maduro, que falava aos simpatizantes chavistas. "Acabou-se a sabotagem da Assembleia Nacional [onde a oposição tem maioria], há que pôr ordem. É preciso levantar a imunidade parlamentar a quem for necessário levantar a imunidade", assegurou, sem justificar a medida e limitando-se a acusar os deputados de tentativa de "golpe parlamentar" e de incitar à violência nos protestos.

Nicolas Maduro aproveitou a mesma sessão para criticar a Procuradoria-Geral da República, que acusa de nada fazer perante a violência dos protestos contra o governo nos últimos quatro meses. "O que julgam que [a Assembleia Constituinte] deve fazer com a Procuradoria? Reestruturá-la de imediato, declarar emergência e assumir a liderança, para que haja justiça", defendeu, enquanto os apoiantes gritavam: "Procuradora, traidora, já te chegou a hora".

Maduro acusou ainda os canais de televisão privados de "censurarem" as eleições.

A oposição venezuelana, maioritária no parlamento, convocou manifestações para hoje e quarta-feira, na sequência da eleição dos 545 membros da Assembleia Constituinte, anunciada por Maduro a 1 de maio.

O objetivo desta assembleia é alterar a Constituição em vigor, nomeadamente os aspetos relacionados com as garantias de defesa e segurança da nação, entre outros pontos.

A oposição venezuelana acusa Maduro de pretender usar a reforma para instaurar no país um regime cubano e perseguir, deter e calar as vozes dissidentes.

Mais de 100 pessoas morreram nos protestos antigovernamentais que têm agitado a Venezuela desde o passado dia 01 de abril.

Com Lusa