Maduro acusa Colômbia de tentar recrutar militares venezuelanos

Presidente venezuelano apela aos países da América Latina e das Caraíbas para intercederem a favor da paz entre Caracas e Bogotá.

O Presidente da Venezuela acusou esta terça-feira a Colômbia de tentar recrutar militares venezuelanos para atacar o sistema de defesa do país.

"Nos últimos três meses têm tentado, a partir dos organismos de 'inteligência' (serviços secretos) do Governo colombiano, recrutar oficiais venezuelanos para afetar o nosso sistema de radares, de defesa antiaérea e o sistema de mísseis", disse Nicolás Maduto.

Nicolás Maduro falava no palácio presidencial de Miraflores, durante a instalação do Conselho de Defesa e Segurança da Nação (CDSN), num dicurso transmitido em direto e de maneira obrigatória pelas rádios e televisões do país.

O Presidente precisou que os serviços secretos levaram a cabo 42 ações para recrutar militares venezuelanos e acusou a vizinha Colômbia de "conspirar para mandar grupos terroristas atacar os serviços públicos venezuelanos", usando oficiais dissidentes que estão refugiados nas cidades colombianas de Bogotá e Cúcuta.

Nicolás Maduro voltou a insistir que a Colômbia pretende levar a cabo "um conflito armado, uma guerra entre os dois países".

Por outro lado, fez um apelo aos países da América Latina e das Caraíbas "para que intercedam a favor da paz entre a Colômbia e a Venezuela".

"Faço um apelo ao povo, a todos os setores políticos e às forças armadas da Colômbia, a colocarem os interesses históricos dos nossos países sobre qualquer plano extremista (...) devem soar as trompetas da paz, não as da guerra", disse Maduro, insistindo que o vizinho país usa "falsos positivos" contra o Governo venezuelano.

Por outro lado, pediu aos poderes públicos do seu país que atuem contra quem apoie "as atividades de escalada e ameaça militar contra a Venezuela", que estejam na Venezuela ou na Colômbia.

Também indicou que recebeu várias propostas da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizantes do regime) para "aumentar" a duração das penas dos crimes de traição à pátria, tanto de civis como militares.

Sobre os exercícios militares que vão decorrer entre 10 e 28 de setembro, nas regiões fronteiriças com a Colômbia, explicou que "é hora de defender a soberania nacional, de afinar todos os mecanismos de implantação da capacidade de defesa" do país.

A 5 de setembro último, Nicolás Maduro anunciou que iria introduzir um sistema de mísseis para defesa antiaérea nas regiões fronteiriças com a vizinha Colômbia, país que acusa de estar a preparar um "conflito armado".

"Vamos implantar um sistema de mísseis, de defesa antiaérea, de defesa terrestre, blindada. Vamos implantá-lo de 10 a 28 de setembro, porque a Venezuela deve ser respeitada", disse.

"O Presidente [da Colômbia] Iván Duque tem um plano de provocação. Ele pretende (...) agredir o território venezuelano, para ir ao Conselho de Segurança da ONU e armar um 'show' político às custas de um conflito armado", acrescentou.

O anúncio teve lugar depois de a oposição anunciar que vai colaborar com as autoridades da Colômbia para localizar eventuais grupos guerrilheiros e paramilitares que Bogotá diz estarem na Venezuela.

Depois de mais de um ano de paradeiro desconhecido, o antigo número dois das FARC e principal negociador do acordo de paz de 2016, Iván Márquez, reapareceu a 29 de agosto último, num vídeo, com outros ex-líderes do grupo, anunciando o regresso às armas.

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